A Bayer decidiu nacionalizar parte da sua pesquisa em cosméticos no Brasil, transferindo 28 estudos clínicos para o país. A medida, feita em nove meses, visa acelerar o desenvolvimento de produtos como o Bepantol Rosa Mosqueta, já popular entre os brasileiros. O projeto envolve testes com quase 980 voluntários e atende também mercados internacionais.
A aposta da empresa é usar o Brasil como hub de inovação. Estudos conduzidos em São Paulo e na região de Campinas já apoiam lançamentos na Argentina, França e Espanha, com adaptações para diferentes perfis populacionais. A economia direta de determinados estudos pode chegar a 300.000 euros, aproximadamente 1,9 milhão de reais.
A operação reduz custos e se beneficia da diversidade da pele brasileira, que inclui todos os seis fototipos. Segundo Augusto Vieira, líder médico da Bayer para Consumer Health na América Latina, a diversidade local facilita calibrar produtos para o público nacional e exportá-los com ajustes regionais.
No Brasil, a Anvisa exige que parte dos testes seja realizada em população local, o que motivou a nacionalização da fase científica. A Bayer afirma que a abordagem custa até 1/30 do preço obtido em centros de pesquisa do grupo no exterior, contribuindo para uma maior eficiência operacional.
A estratégia envolve terceirização por meio de CROs, mantendo a ética de pesquisas com consentimento livre e esclarecido dos voluntários. A remuneração de participantes não é permitida no país, o que influencia o recrutamento e a participação voluntária.
Protocolo de pesquisa
O modelo prioriza evitar o viés de observação, com procedimentos conduzidos por empresas externas. Estudos aplicados ao Bepantol Rosa Mosqueta mostraram que o ativo já era conhecido pelo público, o que reduziu o risco de rejeição. A Bayer aponta que a prática ajuda a ampliar a confiança do consumidor.
A empresa busca consolidar o Brasil como centro de exportação científica para filiais globais. Enquanto isso, as pesquisas locais continuam a sustentar lançamentos no curto e médio prazo, com agenda de cinco a seis novos produtos nos próximos três a cinco anos.
Desafios do modelo
Apesar dos avanços, a nacionalização esbarra em limitações de infraestrutura e de mão de obra especializada em pesquisa clínica. A Bayer reconhece que o volume de produção científica no Brasil é menor do que em centros como Massachusetts, nos EUA, o que exige investimentos para aquecer a cadeia produtiva.
O tempo de aprovação regulatória também continua sendo um desafio. Mesmo com o exemplo do Bepantol Rosa Mosqueta, o ciclo completo de desenvolvimento, testes e aprovação pela Anvisa costuma levar cerca de um ano, processo considerado rápido pela indústria, mas que pode parecer longo para o consumidor.
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