O IPCA acumula alta de 42,78% desde janeiro de 2020, enquanto os alimentos no domicílio subiram 64,35%. A renda no Brasil não acompanhou o ritmo, impactando principalmente as camadas mais pobres.
Especialistas apontam três fatores: baixa qualificação da mão de obra, baixa produtividade que leva a mais horas trabalhadas e uma economia ainda relativamente fechada. A soma dificulta elevar a renda de forma mais rápida.
Para o economista Rodrigo Simões, diretor da FAC-SP, a falta de investimento em educação, tecnologia e desenvolvimento local freia ganhos estruturais. Ele afirma que isso gera sensação de inflação persistente mesmo com estabilidade de preços em médias oficiais.
Percepção x indicadores
Heron do Carmo, professor da USP, diz que a inflação é sentida mais pelos itens do cotidiano. O consumo volatiliza a percepção, principalmente quando o preço de itens frequentes sobe. O efeito é maior para quem não usa carro.
Maluf, da XP Investimentos, ressalta que a pandemia elevou o nível de preços e que o endividamento agrava a sensação de perda de poder de compra. Desinflação de alimentos entre 2023 e 2025 não acabou com a percepção de que tudo ficou mais caro.
O IPCA, índice oficial, reflete famílias de 1 a 40 salários mínimos, dominando o debate público. O INPC, que cobre rendas de 1 a 5 salários mínimos, tende a apontar mais para a inflação vista pela população de menor renda.
A fala do BC
Na abertura da 4ª Conferência Anual do Banco Central, o presidente Gabriel Galípolo manifestou preocupação com a percepção social sobre a inflação. Ele citou choques recentes como a pandemia, a guerra na Ucrânia e a alta do petróleo.
Galípolo disse que a credibilidade do BC depende de manter as expectativas de inflação ancoradas, mesmo diante de um custo de vida elevado no dia a dia. O banco aponta queda de inflação de 2022 até 2026, mas reforça o desafio da percepção pública.
Ele também observou que o preço do petróleo costuma ser tratado como choque transitório pelos bancos centrais, sem resolver o cerne de como o público experiencia a inflação acumulada.
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