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Banco de Edir Macedo investe em fundo com terreno vazio e praia protegida

Banco Digimais investe em terreno sem licença em Goiana e em praia protegida em Paraty, sob disputa fundiária, com patrimônio de R$ 526 milhões

Banco de Edir Macedo põe dinheiro em fundo com terreno vazio e em praia isolada protegida pela União
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O Banco Digimais, ligado à Igreja Universal, investiu recursos em fundos de investimento que detêm terrenos e projetos imobiliários ainda sem licença ou em fases embrionárias. Os investimentos somam cerca de meio bilhão de reais e ocorrem em áreas sob proteção ambiental ou disputa fundiária, com histórico de conflitos com comunidades caiçaras.

A reportagem apurou que o banco é cotista desses fundos e que parte dos aportes ocorreu em um contexto de crise financeira. Balancetes, processos judiciais e contratos são analisados para entender a origem e o destino dos recursos, bem como impactos potenciais sobre os cotistas e credores.

Goiana, Pernambuco, e Paraty, Rio de Janeiro, aparecem como principais mercados. Em Goiana, um terreno com projeto de condomínio não recebeu licença e não houve obras. Em Paraty, a área de praia protegida é alvo de estudo para preservação ambiental com créditos de restauração, com previsão de certificação apenas em 2028.

O terreno de Goiana pertence a um projeto que ainda não foi autorizado pela prefeitura. A área é de uso industrial/agrícola antiga, com avaliações de viabilidade em andamento e sem aprovação de obras até o momento. O fundo envolvido investe na aquisição de ativos ligados ao empreendimento, segundo documentos analisados.

Na Praia Grande da Cajaíba, em Paraty, o fundo Cajaíba detém participação em uma empresa de terras em área isolada, com proteção ambiental e social. A região é habitada por caiçaras, com histórico de disputas de terras e deslocamentos ao longo de décadas.

Cristiano Tannus Notari, titular da Cajaíba Participações, afirma que o objetivo não é construir um resort. O fundador diz que o estudo atual prevê preservação ambiental e geração de créditos de restauração de biodiversidade, modelo análogo aos créditos de carbono. A licença ambiental estaria prevista para 2028, após estudos e certificação internacional.

Auditores independentes indicam que cerca de 75% dos 4 bilhões de aportes do Digimais não puderam ser auditados por falta de documentação. Parte dos recursos foi movida para fundos de direitos creditórios usados para aquisição de carteiras com inadimplência, vinculadas à holding controladora do banco.

O portfólio de fundos com participação do Digimais inclui um veículo com patrimônio de 419 milhões de reais, o Caixaíba, criado em 2025 e ainda não auditado. Além disso, processos de fiscalização apontam a ausência de documentos suficientes para rastrear o destino de aproximadamente 2,3 bilhões investidos em empreendimentos imobiliários.

Mudanças recentes na gestão e na estratégia também descrevem a busca por novas alternativas de financiamento. O banco foi alvo de negociações com o BTG Pactual, que informou interesse em uma possível aquisição de parte da carteira de clientes, sujeita a condições e a um processo competitivo e à participação do FGC.

Progresso e perspectivas

As perspectivas de licenciamento para os projetos em Paraty e Goiana dependem de estudos ambientais, certificações técnicas e aprovação de órgãos competentes. A expectativa de certificação para Paraty pode demorar até 2028, segundo informações de representantes envolvidos nos projetos.

A reportagem solicitou posicionamentos ao Digimais e à Igreja Universal, mas nenhum dos envolvidos respondeu até o fechamento deste material. O órgão regulador e as instituições envolvidas não foram citados com novas declarações oficiais.

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