Cerca de 30% de todo o Bitcoin já emitido está potencialmente exposto a uma ameaça de computadores quânticos, aponta estudo da Glassnode. A análise mede quais moedas têm suas chaves públicas visíveis na blockchain. Isso pode, no futuro, permitir derivar chaves privadas com computadores quânticos poderosos.
Segundo a Glassnode, 6,04 milhões de BTC (30,2%) apresentam algum grau de exposição quântica. Outros 13,99 milhões de BTC (69,8%) não exibem exposição de chave pública em repouso.
A diferença entre estrutura e operação nesse risco é central. O Bitcoin funciona com chaves privadas para controle e chaves públicas para validação de assinaturas. Hoje, conhecer a chave pública não permite obter a privada, segundo a criptografia atual.
A preocupação é que computadores quânticos avançados, com algoritmos como o de Shor, possam futuramente comprometer criptografia de curva elíptica. A possibilidade ainda não indica ataque iminente, apenas aponta vulnerabilidade potencial.
Exposição por categorias
A Glassnode divide o risco em duas frentes. A exposição estrutural envolve formatos de script que revelam a chave pública por desenho, somando 1,92 milhão de BTC (9,6%). A exposição operacional, mais ampla, soma 4,12 milhões de BTC (20,6%).
Entre os ativos expostos pela operação, saldos ligados a exchanges ganham destaque. Carteiras associadas a plataformas de negociação somam 1,63 milhão de BTC (8,1%). Melhores práticas de custódia podem reduzir esse risco.
Implicações
O estudo ressalta que não há estimativa de quando máquinas quânticas capazes de atacar o Bitcoin existirão. A análise descreve a fotografia atual de exposição, não uma previsão de ataque. A pesquisa do Google, citada no material, sugere que o potencial de quebra pode exigir menos qubits do que se pensava.
Em 2024, o NIST concluiu algoritmos de criptografia pós-quântica, indicando que governos e empresas já tratam o tema como segurança de longo prazo. No Bitcoin, a atualização envolve planejamento e coordenação, já que seria necessária antes de qualquer quebra do ECDSA-256.
Parte relevante do recado é que nem toda a exposição é irreversível. Mucha parte decorre de escolhas técnicas antigas ou práticas que podem ser corrigidas com gestão de endereços e de chaves, sem depender de mudanças no protocolo.
Fontes indicam que, mesmo sem uma atualização completa, melhorias de custódia e práticas de higiene de carteiras já reduzem parte da superfície de risco a curto prazo.
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