À medida que Kevin Warsh assume o comando do Federal Reserve, investidores passaram a precificar alta de juros nos EUA até dezembro. A mudança de expectativa ocorre apesar de pressões de Trump por cortes, sinalizando foco na credibilidade do banco central para conter a inflação.
A reversão ocorre diante da escalada inflacionária associada à guerra com o Irã, da resiliência da economia americana e do impulso de investimentos em inteligência artificial. Esses fatores alimentam temores de inflação acima da meta de 2% por mais tempo.
Parcela relevante do movimento foi verificada nos rendimentos dos Treasuries de dois anos, que atingiram 4,14% na sexta-feira. Papéis de 30 anos chegaram a 5,2% na semana anterior, antes de recuar para 5,06%.
Warsh assume a liderança em meio a um grupo de diretores do Fed que já sinalizam menos inclinação ao afrouxamento monetário. O governador Christopher Waller e o vice-presidente Philip Jefferson parecem cientes de que o próximo movimento pode ser uma alta.
Enquanto Warsh proferia o juramento, Trump voltou a defender independência do Fed e pediu ações alinhadas aos objetivos do banco central. A posição de Warsh, porém, aponta para uma condução centrada na inflação.
Investidores, como o gestor Chitrang Purani, avaliam que a alta nos juros pode demorar, com o Fed buscando entender a relação entre inflação, mercado de trabalho e condições financeiras. A leitura de política monetária pode depender de dados recentes.
Além dos discursos, o mercado monitorará leilões de Treasuries de 2, 5 e 7 anos na semana, em busca de sinais de demanda dos investidores e de como o juro pode evoluir ao longo do tempo.
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