A inflação brasileira ficou acima da meta mesmo com recuo mensal. De 0,89% em março para 0,62% na passagem de abril para maio, o índice acumula 4,64% em 12 meses, acima do teto de 4,50%. O desempenho complica a estratégia de juros do BC para a próxima reunião do Copom, nos dias 16 e 17 de junho. Em abril, a Selic caiu de 15% para 14,5% ao ano.
No mercado, as projeções para o fim do ano passaram de 13% para 13,25% e, para 2027, de 11% para 11,25%, sinalizando persistência de juros elevados. O cenário aponta que a inflação ainda não cedeu o suficiente para acelerar cortes na política monetária.
A inflação segue puxada por alimentação e habitação, com impacto relevante no orçamento familiar. A alta nos alimentos caiu ligeiramente, mas permaneceu como principal fator negativo. Já o custo da moradia manteve carga expressiva sobre os consumidores.
Perspectivas e fatores de risco
Conflitos no Oriente Médio mantêm o equilíbrio de preços de petróleo e de commodities, elevando importação de inflação. A política fiscal insegura, especialmente em ano eleitoral, gera incerteza sobre contas públicas e pressiona expectativas de inflação.
Juros altos reduzem crédito, consumo e investimento, afetando o crescimento. A estimativa para 2027 sofreu ajuste, refletindo a percepção de ambiente financeiro desfavorável. O governo tem tentado conter pressões inflacionárias, mesmo com incertezas fiscais.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, tem preparado medidas para reduzir pressões, mas as projeções mantêm a inflação acima da meta. O Banco Central permanece com postura firme para conter pressões de preços.
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