Em meio ao amadurecimento regulatório, debates sobre regulamentação, pesquisa e produção ampliam a visão sobre a competitividade da cannabis medicinal no Brasil. As mudanças refletem avanços da Anvisa e a expansão de acesso a tratamentos.
Especialistas apontam que o futuro depende de previsibilidade regulatória, capacidade produtiva e inserção internacional da indústria. O mercado registra crescimento de autorizações de importação, associadas ao aumento de prescrições médicas.
A discussão atual envolve não apenas regras, mas a construção de um ecossistema que conecte ciência, inovação e regras estáveis. Representantes do setor destacam a necessidade de acompanhar a evolução científica e técnica.
Desafios regulatórios e produção
Segundo Ana Gabriela Baptista, CEO da TegraPharma, o principal desafio é criar mecanismos regulatórios que acompanhem a complexidade científica, agrícola e industrial. A construção de normas exige evolução junto com a prática.
A executiva aponta que limites de THC no cultivo e na produção devem ser tema central. A ideia é manter padrões sanitários elevados sem frear o desenvolvimento científico e industrial do país.
Biodiversidade climática brasileira impõe obstáculos adicionais. Questões de genética, temperatura, água e manejo agronômico influenciam a expressão de canabinoides e o produto final.
Experiência internacional e caminhos futuros
Mercados como Canadá, Portugal e Colômbia avançaram em produção agrícola e em ecossistemas que integram pesquisa, genética, indústria e regulação estável. Em Portugal, a regulação é supervisionada pelo INFARMED.
Na Colômbia, a regulamentação favoreceu uma cadeia produtiva integrada, com foco em rastreabilidade, controle de qualidade e padrões farmacêuticos. Essas experiências ajudam a mapear caminhos para o Brasil.
Para Ana Gabriela, as dificuldades variam entre mercados, com exigências regulatórias, produção e exportação. Ela ressalta que os ecossistemas bem-sucedidos surgem de ajustes graduais entre ciência, operação e regulação.
A próxima fase do setor depende menos de vantagens naturais e mais da capacidade de transformar conhecimento técnico em competitividade internacional. A integração entre ciência, padronização farmacêutica e segurança regulatória é vista como determinante.
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