As concessões de crédito no Brasil recuaram 6,2% em abril, frente março, totalizando uma redução de 45,6 bilhões de reais em novos créditos. A leitura sem ajuste sazonal foi divulgada pelo Banco Central, mostrando piora nos indicadores de inadimplência e endividamento.
Entre abril e março, o estoque de crédito disponível caiu de 737,1 bilhões para 691,5 bilhões de reais. No crédito livre, a retração foi de 5,9%, com quedas em operações de crédito pessoal e cartão de crédito. Já o crédito direcionado recuou 9,1% nas novas concessões.
Concessões para pessoas físicas caíram 4,3% no mês, para 337,3 bilhões, mantendo alta no acumulado de 12 meses (10,3%). Já as concessões para empresas recuaram 7,6%, para 289,2 bilhões, com alta de 7,3% no mesmo período anual.
Inadimplência e endividamento
A taxa de inadimplência nas operações de crédito livre subiu, de 5,7% em março para 5,8% em abril. Entre pessoas físicas, o índice passou de 7,0% para 7,2%, e o calote entre empresas subiu de 3,5% para 3,6%.
O endividamento das famílias manteve-se em patamar elevado, em 49,8% em março, quase estável frente a fevereiro (49,9%). O indicador segue acima do nível de 12 meses antes (49%).
O comprometimento de renda, que mede a parcela da orçamento destinada ao pagamento de empréstimos, recuou levemente de 29,6% para 29,9%, ainda acima do registrado há um ano (28%).
Juros altos
Os juros elevados influenciam a oferta de crédito. A taxa média do crédito livre subiu para 49,5% ao ano, frente março, com aumento também em 12 meses. No crédito livre para pessoas físicas, a média chegou a 63% ao ano, ante 58% há um ano.
Para empresas, o custo do crédito subiu de 24,7% para 25,3% ao ano. A curva de juros está ligada à política do Banco Central, que elevou a Selic para conter a inflação, mantendo-a no maior patamar desde agosto de 2006, mesmo após cortes recentes.
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