A Oncoclínicas contratou o BTG Pactual como formador de mercado para sustentar a liquidez de suas ações, já que o banco atua também como representante legal da MAK Capital. A empresa substitui o Citigroup, que exercia essa função desde o IPO, em 2021. A decisão ocorre em meio a uma disputa societária que envolve mudanças no comando da companhia.
A MAK Capital pressiona por uma reforma no conselho, condicionando um aporte de até R$ 500 milhões. OBTG atua em dois papéis dentro da mesma empresa, elevando o peso de uma relação já tensa entre acionistas minoritários, fundos e o controlador Centaurus.
A companhia afirma não ter conhecimento de qualquer proposta de capitalização de R$ 500 milhões e aponta que a recuperação extrajudicial permanece sob avaliação, conforme diálogo com assessores. O rito visa renegociar dívidas fora do trâmite judicial tradicional.
Após a decisão, a CRD (controladoria) da CGU passa a acompanhar a disputa sobre OPA e governança. A Abraicc, associação de minoritários, protocolou documentos na CGU para esclarecer o andamento e questionar procedimentos.
O contexto é de fragilidade financeira. Em abril, a empresa conquistou uma tutela que impede vencimento antecipado de dívidas até junho, o que aumenta a possibilidade de recuperação extrajudicial caso o prazo não seja mantido.
A mudança de formador de mercado ocorre em meio a uma crise de liquidez e credores que acompanham negociações com a BR Partners, assessora financeira da companhia. As conversas estão em estágio inicial, sem definições sobre prazos ou descontos.
Estoque de medicamentos e impactos operacionais
O corpo clínico informou ao conselho eleito em 30 de abril que o estoque de medicamentos tende a durar apenas algumas semanas, gerando risco à segurança dos pacientes. O documento ressalta impactos diretos no tratamento contra o câncer.
A troca de formador de mercado, com o BTG substituindo o Citigroup, reforça o cenário de incertezas em relação à governança e ao futuro da empresa. A Oncoclínicas não confirmou propostas de capitalização nem anunciou medidas adicionais.
A empresa registra prejuízos recorrentes e alta alavancagem, ficando sob visão de risco pela Fitch. As ações já registram queda relevante no ano e em 12 meses, refletindo a tensão entre credores, acionistas e gestão.
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