Omacar as atenções da indústria alimentícia, a proteína de soro de leite (whey protein) está em alta. Grandes empresas a inserem em salgadinhos, waffles e cafés, elevando a demanda global. Contudo, a oferta não acompanha o ritmo, pressionando preços e estoque.
No Canadá, a HelloAmino informou, no início de maio, que havia zerado o estoque de whey protein. A empresa usa o ingrediente em 30 misturas de panificação ricas em proteína. Ao buscar um fornecedor alternativo, teve que importar whey a custo 50% maior e aguarda nova alta de preços.
A mudança de fornecimento gerou impactos práticos: os produtos assados da HelloAmino ficaram ressecados devido a diferenças no processamento. A fundadora Aelie Swift afirma que o whey ficou caro demais para manter o uso anterior, levando à reformulação com outras proteínas.
Escassez e preços
A demanda tem sobrecarregado a cadeia de suprimentos, com fornecedores informando disponibilidade limitada até o fim do ano em alguns casos. Preços dispararam: o concentrado de whey com alto teor de proteína subiu mais de 40% nos últimos dois meses, segundo dados do mercado.
Algumas empresas passaram a considerar alternativas, como concentrado de proteína do leite ou fontes vegetais, como soja e ervilha. O leite oferece proteína com custos menores, porém não substitui diretamente o whey para todas as aplicações.
A Majic Protein, que fabrica sobremesas com proteína, já avaliou substitutos. O custo do whey aumentou 30% em três meses, e o estoque está ausente até setembro, obrigando busca por opções alternativas. A empresa também acompanha fontes de ervilha, com desafios de sabor e performance.
Perspectivas e impactos no varejo
A Vitalura Labs interrompeu a venda de whey protein isolado em função do aumento de preço desde 2023, que chegou a surpassar três vezes o valor anterior. A empresa promove agora creatina, colágeno e proteínas vegetais para manter o portfólio.
Analistas indicam que, no momento, consumidores quase não notaram a escassez, mas podem sentir. O custo das proteínas como ingrediente tende a se transferir aos produtos, com impactos esperados nos preços ao varejo entre 12 e 18 meses.
Dados da NielsenIQ apontam estabilidade no preço médio dos produtos que destacam whey na embalagem, mas com alta de 32% em quatro anos. Vendas em valor desses itens cresceram 7% no último ano, sinalizando busca contínua por proteína em diversas categorias.
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