A recuperação extrajudicial da Kora Saúde surge como peça central para entender a política de mercado de capitais que envolve a empresa. A Vórtx atua como agente fiduciário da 2ª emissão de debêntures, peça-chave do endividamento da companhia. O valor total da dívida é de cerca de R$ 2,3 bilhões, com aproximadamente R$ 900 milhões passíveis de reestruturação após garantias.
Em 23 de março, a Kora convocou assembleia de debenturistas para estender o pagamento da remuneração da 2ª emissão por 30 dias, com incorporação ao saldo devedor. A solução permitiu manter as negociações ativas até o plano ser apresentado aos credores.
A empresa e seus assessores promoveram tratativas com credores e apresentaram dois planos de recuperação extrajudicial: um para a holding e outro para as controladas.
A adesão inicial ao plano da Kora atingiu R$ 501 milhões, ou 38,8% do passivo sujeito. Para as controladas, o apoio variou entre 49,73% e 82,59%, conforme a empresa. Na prática, a Vórtx organizou a conversa com titulares de debêntures. O documento aponta que as operações financeiras mais relevantes foram estruturadas em São Paulo, sede da Vórtx, fortalecendo o relacionamento com credores estratégicos.
O plano busca manter a operação hospitalar e limitar a reestruturação às dívidas financeiras, excluindo fornecedores, médicos, funcionários, operadoras de saúde e parceiros operacionais. A descontinuidade de serviços não está prevista na proposta de reestruturação.
Implicações jurídicas e próximos passos
A Kora pediu suspensão de 180 dias de ações e execuções movidas por credores cobertos pelo plano. Para os debenturistas, o impasse ganhou contornos além de prazos e juros, tornando-se um teste sobre a capacidade de um agente fiduciário de organizar, fora da Justiça, uma saída para uma dívida bilionária. O andamento depende das impugnações e da possível validação do acordo pela Justiça.
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