O mercado de prestige cuvée em Champagne recuou desde 2022, revelando efeitos inesperados para bares e programas by-the-glass. As exportações caíram 17% em 2025, para sete milhões de garrafas, ficando 1 milhão abaixo da média dos últimos 10 anos. A parcela do segmento caiu de 5,5% para 4,6%.
Na prática, garrafas de Dom Pérignon, Cristal, Krug e Salon moram menos em lares privados e mais em restaurantes, especialmente na oferta por taça. O índice Champagne 50 da Liv-ex fechou 2025 com queda de 4,2%.
Três mudanças em curso
Divergências aparecem: garrafas finas migrando para restaurantes; maior envelhecimento em borras após degorgement; e possível melhoria na qualidade de blends não vintages se frutas de alta qualidade forem redirecionadas.
A demanda chinesa mais fraca, juros altos e inflação colaboram para ajuste geral no setor de vinhos finos, com a Champagne também sentindo o impacto.
O papel do on-trade e Coravin
O setor de horeca absorve parte do estoque disponível. Dispositivos de preservação como o Coravin permitem servir taças de prestige cuvée, reduzindo desperdício e aumentando opções por taça.
Especialistas destacam que nem todos os restaurantes conseguem manter a qualidade necessária para taças de alto valor, principalmente com volumes elevados.
Envelhecimento estendido e estratégia
Habilitar envelhecimento em borras pode char pela melhoria do perfil com o tempo. Casas como Charles Heidsieck e Pommery discutem manter rótulos por mais tempo para consolidar uvas de alta qualidade.
Alguns produtores já realizam lançamentos com maior idade pré-degorgamento ou vinothèque, prática que não depende apenas da demanda imediata.
Grãos da reserva e qualidade futura
Se menos fruta for destinada a prestige releases, o volume de vinho de reserva aumenta. Vinhos de reserva podem sustentar a qualidade de NV, mantendo padrões de degustação elevados.
Casas como Cristal enfatizam a utilidade de reservas para moldar o caráter de seus rótulos post-degorgamento, alimentando uma linha histórica de produção.
Visão de longo prazo
Apesar da mudança, o setor mantém a estabilidade de qualidade. A readequação pode acelerar a passagem de Champagne de ativo financeiro para luxo bebível, com mais taças entre grupos de clientes.
A evolução do mercado indica uma recalibração gradual entre oferta, preço e consumo, com potencial melhoria de percepção de valor quando o vinho é degustado.
Fonte: The Drinks Business, citando executivos e dados de mercado.
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