A licitação de cerca de R$ 180 milhões para gerenciar o sistema de empréstimos consignados de 423 mil servidores do Rio de Janeiro gerou uma disputa entre Salt Tecnologia e Quantum Web. O certame tem prazo de cinco anos, com possibilidade de renovação por igual período, e envolve o governo interino do desembargador Ricardo Castro.
Salt é a atual operadora do sistema no Rio e pertence ao grupo Serasa Experian. Quantum Web busca vencer a licitação após contestações administrativas que atrasaram o andamento do processo.
A competição gira em torno da interpretação das regras de habilitação da Concorrência Pública nº 01/2025. A Quantum afirma que a Salt não cumpriu requisitos técnicos, alegando que atestados teriam origem na Zetrasoft, empresa que originou a Salt após cisão.
Questões de compliance
Ainda no eixo técnico, a Quantum e a Fácil Soluções apontam risco de contaminação por sanções da Zetrasoft, cuja inidôneidade foi declarada pela Prefeitura de São Paulo. A Salt sustenta que não houve extensão automática da sanção.
Documentos da Casa Civil do Rio de Janeiro indicam parecer favorável ao recurso da Salt. A avaliação é de que abusos de personalidade jurídica devem ser apurados em processo próprio, mas sem impedir a Salt de participar.
Perspectivas e histórico
A Salt cita precedentes federais que, segundo eles, validam a transferência de capacidade técnico-operacional da Zetrasoft para a Salt. O TCU teria entendido a migração de patrimônio, software e equipe como operação relevante.
A Quantum Web também passa por escrutínio histórico, com relatos de questionamentos em contratos com municípios de menor porte. A disputa envolve a lógica de gestão de crédito consignado de uma das maiores folhas de pagamento estaduais.
A decisão final impacta o mercado de crédito público, já que o contrato condiciona o acesso de servidores a linhas de crédito, bancos e órgãos públicos. O desfecho pode redefinir o controle da infraestrutura de consignados no estado.
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