O Brasil teve um aumento expressivo nos leilões de propriedades rurais tomadas por credores em 2025, consequência direta da escalada da inadimplência no campo. Ao todo, 14.219 fazendas foram leiloadas, 30% acima de 2024.
A inadimplência dos empréstimos agrícolas alcançou 19,6% no início deste ano, frente 5,5% dois anos antes. Dívidas problemáticas do crédito rural passaram de valores menores para 171,2 bilhões de reais. Um quinto dos empréstimos em circulação está inadimplente.
Os credores passaram a agir com mais rigor: 2.398 propriedades foram tomadas ou leiloadas por vias extrajudiciais no ano passado, segundo levantamento que também registrou 7% a mais de leiloeiras em 2025.
Contexto e impactos
O governo reconhece o momento delicado, com o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura mencionando a gravidade do endividamento no campo. Ele aponta preocupação oficial com a crise que atinge produtores em todo o país.
Gestores do setor também sinalizam a tendência de aumento dos pedidos de recuperação judicial. O Leilão Imóvel confirma crescimento no volume de imóveis rurais, enquanto a recuperação judicial do setor subiu 56% em 2025, depois de crescer mais de 100% em 2024.
Fatores climáticos e econômicos
Enchentes no Rio Grande do Sul em 2024, associadas ao super El Niño, intensificaram dificuldades para os produtores gaúchos. Um estudo da NPJ Natural Hazards, da Nature, documenta o impacto climático na agricultura local.
Além disso, o quadro é agravado por juros altos. A taxa básica subiu de 2% há cinco anos para 15% atualmente, pressionando tomadores e elevando o risco de novos atrasos e perdas.
Analistas apontam que a combinação de juros elevados, incerteza sobre preços de commodities como a soja e a possibilidade de eventos climáticos extremos cria um cenário de alta volatilidade para o agronegócio. A situação também é influenciada pela dinâmica de preços no mercado internacional de commodities.
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