O Brexit, votado pelo Reino Unido em 2016, alterou drasticamente as regras de importação de vinhos franceses. Em 2020 o país deixou a UE, o que gerou barreiras alfandegárias, documentação adicional e custos para os importadores. Muitos produtores passaram a usar agentes para gerenciar as declarações de exportação.
Na prática, a mudança elevou a complexidade logística para quem envia garrafas ao Reino Unido e criou custos adicionais, que chegaram a 50 a 70 euros por envio, segundo o relato de distribuidores ao mercado. A opinião comum era de que exportar para o UK, antes simples, ficou mais oneroso.
Maison Sichel: uma visão diferente
A vinícola familiar de Bordeaux, Maison Sichel, afirma ter encarado o cenário de forma mais favorável. O presidente Allan Sichel e o neto Max Sichel destacam que a empresa mantém operações já estruturadas para o mercado britânico, o que ajuda a reduzir impactos de burocracia.
Segundo os executivos, a relação já estabelecida com varejistas do Reino Unido facilita a logística. A empresa mantém endereço no Reino Unido, em Tiverton, o que simplifica a distribuição e evita a necessidade de criar rótulos diferentes para cada importador.
Resultados e estratégias
Em 2025 a Maison Sichel registrou desempenho recorde, com crescimento de vendas frente aos cinco anos anteriores. A relação com varejistas britânicos como M&S, Waitrose, Booths e Co-op é citada como fator-chave para o resultado.
Max Sichel aponta que, nos últimos anos, rises de popularidade de vinhos brancos e espumantes no Reino Unido contribuíram para a demanda. Os britânicos têm se inclinado a estilos mais leves, com menor teor alcoólico, o que favorece a oferta da casa.
Contexto global
Embora haja relatos de dificuldades para muitos produtores europeus, a experiência da Maison Sichel ilustra um caso de adaptação bem-sucedida ao novo regime. A empresa reforça que, com planejamento e infraestrutura adequados, é possível manter o fornecimento estável ao mercado britânico.
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