Um esquema de apostas online, considerado ilegal, movimentou cerca de 50 bilhões de reais e está sob investigação. A operação deflagrada pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte ocorreu nesta quinta-feira (18) com apoio da Receita Federal.
A ação mira um grupo que atuava com apostas de quotas fixas e jogos de azar na internet, sem autorização. Ao todo, foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão contra sete pessoas físicas e seis empresas, em Pernambuco, São Paulo e Ceará.
As ordens judiciais são expedidas pela 2ª Vara da Comarca de Currais Novos. Os locais de cumprimento incluem Recife, Caruaru e Toritama (PE), Fortaleza (CE) e cidades de São Paulo e Iguape (SP).
Investigação
O Ministério Público aponta crimes de lavagem de dinheiro, induzimento à especulação, exploração de jogos de azar e loterias sem autorização, além de associação criminosa e crimes contra relações de consumo.
A Receita Federal afirmou que o esquema utilizava várias bets ilegais, sem autorização da SPA, e movimentava valores bilionários por meio dessas plataformas. A soma mencionada pelo órgão envolve 37 empresas identificadas na operação.
A investigação revelou que a estrutura central era a Lotseridó, criada pela Prefeitura de Bodó, para dar aparência de legalidade a plataformas de apostas. A gestão municipal afirma que a Lotseridó serviu de fachada para operações financeiras.
Golpes e indícios
Segundo o MP, usuários eram induzidos a confiar nas plataformas por meio de técnicas digitais que simulavam credibilidade. Houve invasão de sistemas públicos e inserção de códigos em páginas confiáveis para redirecionar a navegação a sites ilegais.
Arquivos de indexação falsificados eram usados para direcionar mecanismos de busca e usuários para plataformas não autorizadas.
Empresas de fachada e uso de laranjas
A investigação aponta a criação de uma rede de empresas de fachada para intermediar pagamentos e apoiar as plataformas. Empresas eram registradas em nomes de pessoas sem capacidade financeira, incluindo beneficiários de auxílios e parentes dos investigados.
Contas bancárias ficavam sob controle dos líderes do grupo por meio de procurações públicas. Em alguns casos, empresas funcionavam em endereços inexistentes ou vazio, com operações mantidas mesmo após baixa de CNPJs.
O MP identificou 21 empresas registradas no mesmo endereço considerado fictício em Bodó. Em novembro de 2025, houve bloqueio de cerca de 145 milhões de reais em bens para interromper o esquema e assegurar reparação de danos.
Operação conjunta
A operação envolveu seis promotores, 19 servidores, 28 policiais, 9 auditores e 2 analistas da Receita Federal, além de 10 servidores da Fazenda do RN. A Receita colaborou na análise fiscal, verificação de capacidade econômico-financeira e identificação de grupos ocultos.
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