O governo federal contingenciou 461,7 milhões de reais do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), reduzindo a verba prevista para este ano para 1,1 bilhão. O corte atinge o mecanismo público de proteção contra perdas climáticas em lavouras.
A decisão ocorre em meio a pressões do El Niño, que afeta safras brasileiras, além do aumento dos custos de fertilizantes e da elevação da inadimplência no setor rural. Analistas apontam que esse cenário eleva o custo de financiamento do agronegócio.
Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos, destaca que o agro hoje figura entre os setores mais sensíveis ao cenário financeiro no Brasil. Segundo ela, a redução de recursos amplia a vulnerabilidade de produtores que dependem de seguro rural para mitigar riscos de intempéries.
Além do impacto direto no PSR, a alta de juros e o custo de crédito pressionam bancos expostos ao setor, elevando o custo de captação. Fontes enfatiza que o financiamento na safra depende de pagamento ao longo do ciclo, acentuando o risco em caso de quebra de produção.
Impacto no mercado de crédito agro
A situação aumenta a percepção de risco entre investidores. Fontes aponta que os spreads de créditos rurais têm subido, elevando a cautela com ativos como CRAs, Fiagros e ações ligadas ao agronegócio na bolsa.
O PSR é associado a um processo de proteção adicional para produtores, contribuindo para reduzir custos de seguro em momentos críticos. A queda de recurso pode reduzir a cobertura disponível para enfrentamento de eventos climáticos.
Fontes ressalta que o financiamento do agronegócio precisa continuar sendo viável para sustentar a produção ao longo do ciclo agrícola. A confirmação de medidas complementares ainda não foi anunciada.
A Resenha do Dinheiro, programa apresentado por Thiago Godoy e produzido com apoio da B3 e BlackRock, acompanha semanalmente temas de economia e investimentos. A atração é veiculada no YouTube e na CNN Brasil.
Entre na conversa da comunidade