Morreu nesta sexta-feira (22), aos 86 anos, o pianista Miguel Proença, uma das figuras mais proeminentes da música erudita brasileira. Ele faleceu no Hospital São Vicente, no Rio de Janeiro, em decorrência de falência múltipla de órgãos. A informação foi confirmada por amigos e o velório ocorre na Sala Cecília Meireles até as 14h deste sábado (23).
Proença, nascido em Quaraí (RS), teve uma carreira marcada pela paixão pela música. Desde a infância, quando se encantou com o som do piano, ele se dedicou a tocar em diversos palcos, desde bares e festas gaúchas até renomados teatros internacionais. O cantor Márcio Gomes expressou sua tristeza nas redes sociais, destacando o legado artístico e a amizade que teve com o pianista.
Contribuições à Música
Ao longo de sua trajetória, Proença se destacou por sua interpretação de compositores brasileiros, como Heitor Villa-Lobos e Ernesto Nazareth. Em 2005, lançou a série de CDs “Piano brasileiro”, que apresentou sua visão sobre a música clássica nacional. O pianista gravou mais de 30 discos e colaborou com artistas renomados, incluindo o violinista Salvatore Accardo e a atriz Bibi Ferreira.
Além de músico, Proença foi um educador e gestor cultural respeitado. Ele dirigiu a Sala Cecília Meireles em duas ocasiões e foi secretário municipal de Cultura do Rio de Janeiro entre 1983 e 1988, período em que fundou a Orquestra de Câmara da Cidade. Também lecionou em instituições de renome, como a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
Legado e Reconhecimento
O crítico musical Mauro Ferreira ressaltou que Proença deixou um legado que vai além de sua obra, contribuindo para a difusão da música clássica no Brasil. Em 2019, ele assumiu a Funarte, mas foi demitido após se posicionar em defesa da atriz Fernanda Montenegro. Proença deixa três filhos: Paulo, Daniel e Laura. Sua morte representa uma grande perda para a cultura brasileira, que se despede de um artista que dedicou sua vida à música.
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