Geraldo de Barros, artista multifacetado, teve sua série “Sobras”, criada em 1996, recentemente preservada e exibida pelo Instituto Moreira Salles (IMS). A mostra reafirma a relevância contemporânea de sua obra e a inovação nas práticas fotográficas.
A série “Sobras” foi desenvolvida quando Geraldo, aos 73 anos, recortou negativos de fotos de férias e os montou em placas de vidro, criando uma colagem visual. Essa técnica, que envolveu a colaboração da fotógrafa Ana Moraes, resultou em cópias fotográficas ampliadas, apesar dos desafios técnicos enfrentados, como a dificuldade em manter o contraste entre as imagens.
Em 1977, a artista Fabiana de Barros redescobriu a série “Fotoformas”, produzida por seu pai entre 1948 e 1950. Essas imagens experimentais, que combinam múltiplas exposições e manipulações, foram inicialmente exibidas no Museu de Arte de São Paulo, mas caíram no esquecimento. A recuperação dos negativos levou a exposições internacionais, incluindo uma em 1993 na Suíça.
O IMS adquiriu os negativos das “Fotoformas” em 2014, permitindo a preservação e estudo das obras de Geraldo de Barros. O coordenador de fotografia do IMS, Sergio Burgi, destacou que essas séries expandem os limites da linguagem fotográfica, promovendo uma aproximação entre fotografia e artes visuais contemporâneas.
A série “Sobras” é considerada uma das mais radicais de Geraldo, refletindo sua luta contra limitações físicas e sua busca por inovação artística. Fabiana de Barros enfatiza que a obra é uma expressão de bravura e criatividade, mesmo em meio a desafios pessoais. Geraldo de Barros faleceu em 1998, mas seu legado continua a influenciar a arte contemporânea no Brasil e no exterior.
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