Quem passa pelo Teatro Municipal, no Vale do Anhangabaú, já pode ver o cartaz da estreia da ópera “Porgy and Bess”, marcada para a próxima sexta-feira, 19. Esta montagem é histórica, pois é a primeira vez que a obra de George Gershwin, escrita em 1935, será encenada no Brasil. A direção fica a cargo da atriz e dramaturga Grace Passô, que se torna a primeira mulher negra a assumir essa função na produção.
A obra exige um elenco totalmente negro, mas não especifica a composição da equipe criativa. Grace Passô traz uma proposta inovadora, incorporando elementos da cultura brasileira à narrativa que retrata a vida de uma comunidade negra da Carolina do Sul na década de 1930. “É uma reescritura do Porgy e Bess para a cultura brasileira”, afirma Passô, que busca criar uma conexão real entre o público e a história.
A soprano Latonia Moore, que já apresentou a peça em outras montagens, expressa sua emoção por ser dirigida por uma mulher negra. “É uma mudança muito especial”, destaca. A produção promete oferecer uma experiência única, diferente das óperas tradicionais, ao evocar memórias e sentimentos do público.
Encontro e Fórum
No mesmo dia da estreia, o Teatro Municipal sediará o encontro Abram Alas, que celebra a presença feminina na indústria musical, além do Fórum de Mulheres Ópera Latinoamérica. Nos últimos quatro anos, a presença de mulheres nas equipes de montagens do teatro aumentou de menos de 5% para 40% na programação de 2026. Essa mudança é atribuída à gestão de Andrea Caruso Saturnino, superintendente geral do Teatro Municipal desde 2021.
São Paulo foi escolhida como sede do evento deste ano, reforçando o compromisso do teatro em promover a participação feminina, inclusive em cargos de direção. A inclusão de “Porgy and Bess” na programação é vista como um passo natural dentro dessa proposta de valorização.
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