O mercado editorial brasileiro abre espaço para obras de escritores indígenas, um movimento que vem se consolidando há cerca de 30 anos. Grandes nomes como Davi Kopenawa, Ailton Krenak, Daniel Munduruku e Eliane Potiguara pavimentam esse caminho, enquanto novas vozes ganham espaço na literatura brasileira.
A transformação envolve diferentes formatos, de infantil a ensaios e poemas, ampliando o repertório sobre as histórias dos povos originários. O grupo descrito a seguir destaca seis nomes em evidência no cenário nacional.
Trudruá Dorrico
Trudruá Dorrico, 34, Makuxi, é poeta, pesquisadora e referência atual na literatura indígena. Natural de Guajará-Mirim, doutora em Teoria da Literatura pela PUCRS. Publica com destaque títulos como Makunaimã Morî Mai e Tempo de Retomada.
A autora também organiza e participa de coletâneas, incluindo Originárias, prevista para vestibular entre 2030 e 2033. Sua produção apoia a ampliação de espaços para vozes indígenas no mercado editorial.
Auritha Tabajara
Auritha Tabajara, 44, é de Ipueiras, Ceará, e pioneira na publicação de cordel entre mulheres indígenas no Brasil. Entre seus livros estão Coração na Aldeira, Pés no Mundo e A Árvore do Caju, voltados ao público infantil.
Participa de coletâneas como Apytama – Floresta de Histórias, vencedora do Jabuti 2024 na categoria Juvenil. Também integra projetos educacionais sobre saberes indígenas para crianças.
Geni Nuñez
Geni Nuñez, 35, é guarani e psicóloga, natural de Dourados, MT. Doutora em ciências humanas pela UFSC, atua como pensadora sobre relações sociais na sociedade contemporânea.
Entre suas obras estão Descolonizando Afetos e Felizes por Enquanto, além do infantil Jaxy Jaterê. Suas publicações expandem o diálogo entre povos e novas formas de amar.
Cristino Wapichana
Cristino Wapichana, 55, é da etnia Wapichana, nascido em Boa Vista, RR. Entre os principais nomes da literatura infantil indígena, participa de Apytama – Floresta de Histórias, vencedora do Jabuti.
Indicado ao prêmio por Cada Remada, Uma História, ao lado de nomes como Munduruku. Publicou A Boca da Noite, que recebeu reconhecimento internacional.
Márcia Kambeba
Márcia Kambeba, 47, nasceu em Solimões, AM, é geógrafa e pesquisadora. Publica poemas, ensaios e livros infantis, com títulos como Saberes da Floresta e O Lugar do Saber Ancestral.
Seu trabalho enfatiza saberes tradicionais e a relação entre povo e território. Participa de projetos que unem literatura e educação ambiental.
Ezequiel Vitor Tuxá
Ezequiel Vitor Tuxá, 29, nasceu na aldeia Tuxá Kiniopará, na Bahia. Além de escritor, atua como artista visual e psicólogo, formado pela UFBA.
Seu livro de estreia, O Que Falam as Águas?, trata dos impactos da Itaparica. Também publicou Ihendzi: A Árvore Andante e Rei-pássaro, fortalecendo a literatura infantil indígena.
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