Robert Crumb, aos 82 anos, retorna ao Brasil com a coletânea Tempos Modernos. A obra reúne trabalhos que vão desde o underground de Zap Comix até crônicas sobre a cultura de consumo, apresentando a visão crítica do artista sobre a sociedade.
A edição, organizada pelo editor Rogério de Campos com apoio da agente Lora Fountain, chega pela Veneta. O volume inclui obras assinadas com Aline Kominsky-Crumb e Sophie Crumb, além de material originalmente publicado na revista Weirdo.
Crumb vive hoje longe das luzes da mídia, na comuna de Sauve, no sul da França. O artista não usa redes sociais e evita grandes eventos, mantendo uma relação contida com a imprensa desde a década de 1990.
Tempos Modernos: o que há no volume
A coletânea traça a evolução do traço de Crumb, do grotesco ao realismo, mantendo uma leitura crítica sobre tecnologia, moda e consumo. Há histórias com Aline Kominsky-Crumb e a filha Sophie, explorando a vida a dois e o humor autodepreciativo.
O livro também resgata trabalhos clássicos da revista Weirdo, fundada por Crumb, que marcou o underground novaiorquino. O conjunto também dialoga com temas familiares, inclusive a relação entre Crumb e Aline.
Crumb hoje: visões sobre o mundo moderno
Nos desenhos recentes, Crumb explora o pessimismo diante da sociedade contemporânea, incluindo críticas à indústria farmacêutica e à economia de lucros. O romance gráfico aborda ainda a inteligência artificial e seus impactos.
A obra não se restringe apenas ao passado; parte do material foi criado nos últimos dez anos, mantendo a estética que mescla cartum e hiperrealismo. As narrativas ressaltam uma visão de mundo cautelosa, porém contundente.
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