O documentário Leaving Neverland, lançado em 2019, investiga as alegações de abuso sexual contra Michael Jackson feitas por Wade Robson e James Safechuck. Em dois episódios, com quatro horas de duração, o filme gerou intensa controvérsia e foi alvo de críticas de familiares do artista e de fãs.
Os representantes de Jackson contestaram o filme desde a estreia, qualificando-o como sensacionalista e rejeitando as acusações. O debate ganhou força no momento em que a obra influenciou a percepção pública, levando a boicotes a rádios, cancelamentos de parcerias comerciais e a retirada de um episódio de Os Simpsons em que Jackson participava.
Situação legal e disponibilidade
A disputa entre os herdeiros de Jackson e a HBO passou por anos de processo. Antes da estreia, os herdeiros tentaram impedir a divulgação, fundamentados em uma cláusula de confidencialidade de 1992 ligada à turnê Michael Jackson in Concert. A ação não impediu a estreia, mas ganhou corpo na Justiça com pedidos de arbitragem.
Em outubro de 2024, as partes chegaram a um acordo pelo qual a HBO retiraria Leaving Neverland de suas plataformas de streaming. O acordo foi anunciado como resolvido de forma amigável, e o filme passou a não figura mais entre os títulos disponíveis no Brasil ou nos Estados Unidos.
Impactos e desdobramentos
O diretor Dan Reed afirmou, em entrevista à Rolling Stone, que a retirada foi dolorosa para a produção. Embora não tenha estado diretamente envolvido na negociação, ele reconheceu o papel da HBO no financiamento e na defesa das reivindicações ao longo de anos, destacando que o resultado respeitou alguns temas presentes na obra.
Segundo Reed, direitos do filme retornam ao cineasta em 2029 e ele pretende viabilizar o acesso ao conteúdo na América do Norte. O cineasta reiterou que não houve questionamento sobre a integridade ou veracidade do documentário, atribuindo o impasse apenas a questões legais ligadas a contratos antigos.
Sequência e futuro da obra
Em março de 2025, foi lançada uma sequência do Leaving Neverland, publicada no YouTube, na qual Robson e Safechuck comentam os desdobramentos do processo. O lançamento foi realizado após o início do julgamento marcado para novembro do mesmo ano, envolvendo o caso conjunto dos investigadores contra os herdeiros.
Reed considerou que o filme Michael pode moldar a imagem de Jackson entre jovens espectadores como um artista talentoso e, segundo ele, alguém que tinha uma relação complexa com o público infantil. O cineasta afirmou que a narrativa no cinema de Hollywood pode distorcer a verdade por meio de influências econômicas e legais.
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