Dalton Paula chega a Inhotim para a abertura da mostra Dupla Cura, marcada pela celebração dos 20 anos da instituição. A exposição reúne obras que vão de esculturas a videoinstalações, com curadoria de Bia Lemos, apresentando uma visão ampla da sua trajetória como artista, capoeirista e ex-bombeiro.
Ao longo da abertura, o público observa o carisma do artista, que circula entre visitantes e convidados. A nova mostra reforça a presença de Dalton no cenário artístico nacional, já reconhecida na lista Power 100 da ArtReview, onde subiu de 87 para 68 em 2025, sendo o único brasileiro listado.
Valorizar a coletividade
O recorte de Dalton enfatiza a pesquisa em campo como motor criativo. Ele descreve um percurso que inclui percursos econômicos brasileiros, rotas históricas e memória comunitária, buscando alimentar o trabalho com depoimentos e acervos públicos. A prática envolve multilinguagem e diálogo com comunidades.
Pintar o corpo negro
A obra debate a figura do corpo negro, inclusive o próprio, por meio de recursos que dialogam com a tradição erudita e o peso histórico dos saberes não eurocêntricos. O processo criativo combina pesquisa, licença espiritual e anotações em um “caderno de artista” que orienta as fases seguintes.
A comunidade anda junto
A atuação de Dalton extrapola a produção artística: a marca dele está ligada a um movimento coletivo denominado Sertão Negro, que celebra ações de fomento cultural, educação e sustentabilidade no sertão. O projeto envolve capoeira, dança, coral, cerâmica e apoio à agricultura local, fortalecendo vínculos com a comunidade.
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