O mundo da moda, tradicionalmente ligado à juventude, passa a valorizar cabelos grisalhos, pele marcada pelo tempo e a presença de mulheres maduras. O fenômeno indica uma mudança estética seguem tendências de consumo.
Na Chanel, sob direção de Matthieu Blazy, modelos entre 40 e 60 anos desfilaram na coleção cruise 2027, realizada em Biarritz no dia 28 de abril. Destaques foram Stephanie Cavalli, Christina Chung e Laura Ponte, retratando serenidade, elegância e autoconfiança.
Outros desfiles reforçam o movimento. Na temporada outono/inverno 2026 em Paris, Gillian Anderson fechou a passarela da Miu Miu, ao lado de Kristen McMenamy e Chloë Sevigny. Em Nova York, Carolina Herrera levou artistas como Ming Smith, aos 79, ao front row. E em Milão, a Gucci de Demna contou com Kate Moss, 52. Segundo a Tagwalk, vinte marcas lideraram com modelos maduras.
Mercado e impacto global
A WGSN classifica a longevidade como força que pode redefinir consumo até 2030, no conceito Longevity is the new Luxury. Envelhecimento passa a motorizar inovação em beleza, luxo, moda e wellness. A tendência dialoga com ritmo de envelhecimento populacional.
Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que, até 2030, uma em cada seis pessoas terá mais de 60 anos. No Brasil, a população acima de 60 cresce acima das crianças, acelerando a chamada economia da longevidade.
Relatório do UBS, de 2025, projeta o mercado global da longevidade acima de US$ 8 trilhões em 2030, ante US$ 5,3 trilhões em 2023. A moda acompanha essa expansão, incorporando faixas etárias mais amplas em campanhas e desfiles.
Campanhas e exemplos
Em 2025, Donna Karan reuniu supermodelos entre 40 e 55 anos para celebrar 40 anos da marca. A Zara, no mesmo ano, celebrou 50 anos com elenco intergeracional, incluindo Twiggy, Linda Evangelista, Cindy Crawford e Naomi Campbell. Esses movimentos sinalizam nova percepção de o que define consumo futuro.
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