Camila Sosa Villada, escritora argentina, fala sobre o lançamento mais recente no Brasil, A traição da minha língua. A entrevista apresenta a visão franca da autora sobre a escrita como ferramenta política e sua trajetória literária.
A autora, conhecida por um estilo confessional e contundente, discute como a linguagem funciona para deslocar fronteiras. Em seus relatos, a escrita é apresentada como um meio de expor memórias, vidas e desejos.
O livro, lançado pela editora Fósforo, reúne fragmentos de textos escritos ao longo de anos. A obra mantém o tom analítico sobre a vida e o ato de escrever, combinando experiências pessoais com reflexões sobre produção artística.
Villada afirma que escrever envolve risco e, por vezes, trair pessoas para revelar impactos na própria vida. A narrativa aborda a infância em um povoado pobre e a percepção da transgeneridade desde cedo.
No plano pessoal, a autora fala de relações, família e da dificuldade de diálogo doméstico. Ela descreve a escrita como uma forma de herança melancólica que facilita comunicação com os pais por meio de cartas.
Em termos de estilo, Camila mantém o erotismo como traço marcante, relacionando linguagem e sexualidade de modo intenso. A autora compara a construção da identidade com a prática criativa da escrita.
A trajetória de Villada inclui o romance O Parque das Irmãs Magníficas, reconhecido internacionalmente e premiado. A obra aborda a vida de travestis trabalhadoras sexuais, mesclando realidade e elementos ficcionais.
A autora comenta sobre questões políticas da Argentina, citando dificuldades com o governo e decisões do Congresso. Ela critica medidas que afetam serviços públicos e áreas protegidas nas geleiras.
Sobre o ativismo, Villada afirma não se considerar uma voz amplamente engajada, mas reforça a visibilidade de temas LGBTQIA+ e feministas. Ela aponta tensões entre individualismo e ações coletivas nos movimentos sociais.
Ao longo da entrevista, a escritora descreve o impacto de sua relação com os pais na produção literária. As cartas, segundo ela, tiveram papel central na comunicação que não ocorria face a face.
A narrativa de A traição da minha língua reapresenta o que significa escrever para compreender a própria história. Segundo a autora, o livro ensina a lidar com o não dito como parte da arte.
Em tom final, Villada aborda a própria visão de futuro: apesar de ceticismo, mantém o foco na continuidade da criação literária e no modo como a escrita registra vidas e resistências.
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