Ian McEwan reforça a tendência da ficção climática com o lançamento de O que Podemos Saber, que chega às livrarias na terça-feira, 12 de maio. O romance se passa em 2119, num mundo que sobreviveu a uma grande catástrofe climática, guerras nucleares e tsunâmis. Londres, Paris, Amsterdã e outras capitais ficaram submersas; os EUA enfrentam guerras civis e a Nigéria emerge como potência tecnológica.
O enredo acompanha o professor Thomas Metcalfe, especialista no período 1990-2030, em busca de um poema de 2014 do poeta Francis Blundy. O poema foi lido apenas uma vez, em um jantar que homenageava a esposa do autor, e nunca mais foi encontrado. A ausência do poema move a narrativa e evita clichês de distopias.
O livro integra o campo da cli-fi, termo cunhado para a ficção climática. Ao longo das últimas duas décadas, autores como Octavia Butler e Ursula Le Guin já exploraram o tema, mas McEwan amplia o alcance com uma escrita que une alta literatura e alerta sobre o colapso ambiental, sem recorrer a heroes fáceis.
No Brasil, a cli-fi já aparece em títulos como Água Turva, Contra Fogo e O Deus das Avencas, que dialogam com o cenário nacional. Internacionalmente, a obra de McEwan dialoga com a tradição de narrativas sobre o antropoceno, potencializadas por um público que busca leitura que combine reflexão e urgência.
A narrativa não se propõe apenas a retratar catástrofe, mas a questionar o papel da literatura diante do desmoronamento ambiental. O romance usa o passado para provocar questionamentos sobre responsabilidade e memória, mantendo o foco na observação objetiva dos acontecimentos.
Publicado originalmente na edição de VEJA de 8 de maio de 2026, a reportagem contextualiza a ascensão da cli-fi como ingrediente estruturante de obras contemporâneas, com McEwan entre os nomes mais influentes do gênero. O livro chega aos leitores como um retrato literário do presente, projetado para o futuro.
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