Marcello Quintanilha estreia Eldorado, sua primeira HQ longa desde Escuta, Formosa Márcia, trazendo em narrativa as memórias do futebol ligado à história do Brasil. A obra, situada em Duque de Caxias, mistura crime não resolvido com a trajetória do jogador pai do autor, Hélcio.
O enredo acompanha o ambiente social dos anos 1950 na família do jovem Hélcio e o início da carreira esportiva, entrelaçado a um crime com repercussões duradouras. Em 1974, a história avança para a ditadura, conectando a vida do jogador à investigação não concluída de décadas anteriores.
A HQ abre com um prólogo de 81 quadros em nove páginas, inspirado no cordel, que apresenta o contexto social e político da obra. A partir daí, a narrativa se desloca para a cidade de Duque de Caxias, nos anos 1950, com foco no armazém de Alício, pai de Hélcio, e no caso que marca o início da trajetória.
Quintanilha descreve a obra como mistura de verdade e ficção, com a parte policial criada pelo autor e a trajetória futebolística de Hélcio baseado em elementos reais. A investigação não resolvida serve como pano de fundo para a construção histórica da constelação familiar.
A ambientação utiliza páginas de jornais como recurso narrativo, refletindo a formação do quadrinista. Segundo ele, o contato precoce com tiras e partes dominicais dos jornais moldou seu estilo e a percepção de movimento nas imagens.
A obra também retrata a transformação socioeconômica pós-guerra, marcada pela mudança do eixo de circulação de mercadorias e pela construção de Brasília. Esses fatores ajudam a contextualizar a origem de desigualdades e a dinâmica do esporte no país.
Quintanilha reforça que a ficção comanda a narrativa, ainda que a base histórica seja relevante. Ele destaca a influência de trabalhos anteriores que exploraram o retrato social de épocas marcantes no cinema e no quadrinho nacional.
Entre na conversa da comunidade