Clarissa review: Sophie Okonedo brilha como Virginia Woolf em Mrs Dalloway, adaptada por Arie e Chuko Esiri, no Cannes. O filme combina Lagos contemporâneo com Abraka no sul da Nigéria, explorando escolhas de vida, amor e arrependimento. A obra estreia pela primeira vez na Croisette, em tom sedutor e melancólico.
A produção foca em Clarissa, interpretada por Sophie Okonedo, organizando um encontro com velhos amigos em uma mansão de Lagos. O marido, Richard, é um profissional que trabalha para a Shell, surgindo como figura de conforto morno, contrastando com a juventude politicamente inquieta de Clarissa.
No enredo, Peter, interpretado por David Oyelowo, retorna ao círculo após anos, carregando fracassos criativos e um amor perdido. Sally, vivida por Nikki Amuka-Bird, chega acompanhada de seu filho, gerando tensões entre Clarissa e seu passado. A narrativa transita entre presente e passado por meio de flashbacks.
Em Abraka, cenas com o jovem Peter, vivido por Toheeb Jimoh, revelam uma relação romântica com Clarissa sob a ótica de uma juventude questionadora. India Amarteifio dá vida à Clarissa na fase jovem, explorando dilemas sobre talento literário e sentimento.
A produção alterna com a figura de Septimus, interpretado por Fortune Nwafor, um soldado com depressão e PTSD. O enredo envolve a violência de conflitos locais, incluindo revelações sobre venda de munição que alimenta tensões no grupo. A tensão situa-se entre passado e consequências presentes.
A relação entre Clarissa e seus amigos é marcada por ambiguidade afetiva e por lembranças que repercutem no presente. O filme aborda questões de amor, identidade e escolhas, sem oferecer respostas previsíveis, mantendo o clima de mistério.
A direção dos irmãos Esiri combina estilo visual com uma trilha musical marcante, criando uma atmosfera sedutora e envolvente. O drama é apresentado como uma reflexão sobre arrependimento e o peso de decisões ao longo da vida.
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