A escritora Aline Bei abriu as portas de sua casa em São Paulo para a série Coleção de Livros, revelando uma biblioteca que ocupa um anexo da sala. O espaço é íntegro de vidro, o que deixa a leitura exposta e exige escolha cuidadosa das obras. Bei trabalha em uma nova publicação no momento.
Ela organiza parte da estante por fronteiras nacionais, método herdado de um amigo. A prática convive com a paixão por teatro, dança e escrita, áreas de formação da autora. Entre os espaços dedicados, há cantinhos para dramaturgia e teoria literária, com títulos que vão de Shakespeare a Pina Bausch.
Na pandemia, a convivência com outra pessoa no mesmo ambiente levou Bei a adaptar o estudo. Ela relata ter doado mais de 500 volumes por falta de espaço, mantendo a biblioteca como espaço vivo que influencia o próprio processo criativo de produção.
Obras em destaque
- O corpo poético: uma pedagogia da criação teatral, de Jacques Lecoq — livro raro, acquistado em sebo; o autor estudou o corpo, máscaras e movimento, influenciando a visão da autora.
- A descoberta do mundo, de Clarice Lispector — prática considerada como um oráculo para Bei, embora ocupe espaço entre teoria e ficção.
- Pina Bausch, de Fabio Cypriano — referência central em dança que apoia a construção do pensamento em suas narrativas.
- Louise Bourgeois – Destruição do Pai, Reconstrução do Pai — diário de artista cujas obras influenciam as capas dos livros da autora.
- Triste tigre, de Neige Sinno — ensaio contundente sobre infância, lido após recomendação de uma amiga.
- Josefina, a cantora, de Franz Kafka — coletânea de contos com o conto que dá o título ao livro, marcante para Bei pela linguagem.
- Em louvor da sombra, de Junichiro Tanizaki — ensaio fininho que norteia atmosferas de obras futuras da escritora.
- As Pequenas Virtudes, de Natalia Ginsberg — textos curtos que discutem literatura e vida, entre crônicas e contos.
- Amar um cão, de Maria Gabriela Llansol — obra lírica que dialoga com a visão de Kafka, destacando a relação entre pessoa e animal.
- Lavoura arcaica, de Raduan Nassar — leitura favorita que funciona como um “shot lírico” para a escrita.
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