John Dolmayan, baterista do System of a Down, decidiu seguir a escrita de quadrinhos durante o hiato da banda. Em vez de lançar novos discos, ele mergulhou em Ascencia, sua série deHQ com 12 volumes já publicados. A obra ganhará turnê de lançamento no Brasil em junho.
A passagem de Dolmayan pelo universo das HQs reflete uma relação antiga com a nona arte. Enquanto os colegas Serj Tankian, Daron Malakian e Shavo Odadjian seguem caminhos paralelos na música, o baterista explora ficção científica para denúncia social, com foco em temas como desigualdade e poder.
Ascencia e o conceito de mundo expandido
Em Ascencia, Dolmayan contrasta Bethany, cidade marcada pela fome e violência, com Ascencia, terra de alto desenvolvimento onde pessoas não morrem e há telepatia eletromagnética. O enredo parte de uma investigação após a descoberta de um corpo, revelando segredos sobre os dirigentes.
A narrativa, não linear, acompanha séculos de história, com foco em um elenco que atravessa gerações. O mundo expandido de Ascencia é descrito pelo próprio autor como tão vasto quanto o de Game of Thrones, abrangendo períodos que vão de 1912 até 2100 ou 2200.
Processo criativo e relação com a música
Dolmayan compara a produção de quadrinhos à agilidade necessária na bateria. Enquanto a composição musical costuma ocorrer rapidamente, a construção de roteiros avança página a página, com ajustes ao longo do tempo e revisões constantes.
Sobre Dead Samurai, outra HQ dele, o criador comenta a inclinação por cenários extremos. Ele afirma que histórias grandiosas exigem desenvolvimento de mundo longo, com foco em consequências duradouras e permanência de certos personagens.
IA, futuro da arte e continuidade da carreira
O músico encara a IA como uma ferramenta de reposicionamento criativo, capaz de copiar conteúdo já existente. Ele não vê a substituição completa de artistas como iminente, mantendo a prática de colaborar com desenhistas e manter o contato humano.
Quando questionado sobre o futuro de turnês, Dolmayan afirma que viagens de shows são um privilégio, e que 15 apresentações por ano ajudam a manter o grupo energizado, sem abrir mão do lar. A agenda recente inclui apresentações no Brasil.
Entre na conversa da comunidade