Tom Ripley atravessa a ficção de Patricia Highsmith como uma presença que não passa — 1,8 mil páginas depois, o vilão permanece fascinante. A figura, embora criada, parece ter vida fora das páginas, em uma França onde a curiosidade sobre suas fraquezas cresce a cada passagem.
A reportagem acompanha o mergulho em cinco volumes que moldaram Ripley. Do iníco em O talentoso Ripley, ao impacto de adaptações, o personagem desperta fascínio pelo carisma e pela perversa engenharia social que o sustenta.
O relançamento no Brasil, em comemoração aos 70 anos da obra, impulsionado pela Intrínseca, reuniu as obras em novas edições. A ordem é: Ripley Subterrâneo, O jogo de Ripley, O garoto que seguiu Ripley e Ripley debaixo d’água, encerrando em 1991.
Em adaptações, o vilão é lembrado por Matt Damon no cinema e por uma série da Netflix em preto e branco. A estrutura da obra mostra Ripley, manipulador e sedutor, que se beneficia de um mundo que não percebe o que ocorre nos bastidores.
Complexidade do antagonista
Em Villeperce, Ripley consulta uma IA sobre grandes vilões da literatura e encontra respostas que situam Sauron, Voldemort e outros no hall de nomes emblemáticos. A cada resposta, a narrativa revela a ambiguidade do personagem: ele é tão perigoso quanto cativante.
A leitura dos cinco volumes revela um retrato de Narciso: rosto atraente, humor sombrio e uma sede de controle que ultrapassa a criminalidade clássica. O envolvimento com os personagens o coloca em situações cada vez mais ambíguas.
A partir de O talentoso Ripley, a série mostra evolução de Ripley em diferentes cenários — Nova York, Paris e Londres — sempre com um olhar atento aos mecanismos de engaño, manipulação e fuga.
Ao fechar o computador, Ripley encara a pergunta sobre vilões. A curiosidade o leva a buscar Reeves Minot e um amigo comum na França, sugerindo que a história pode ganhar novas páginas.
Com 1,8 mil páginas, a obra permanece viva para leitores e fãs de adaptações. O personagem, embora ficcional, desperta leitores a reconhecer traços de pessoas reais que habitam o mundo contemporâneo.
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