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Persépolis, obra de Marjane Satrapi, é uma aula de história

Graphic novel traça a transição do Irã do século XX, da era laica à República Islâmica, pela visão de Marjane Satrapi

Marjane Satrapi se retrata em 'Persépolis', aos 10 anos: hijab é reflexo do regime islâmico - (Marjane Satrapi/Reprodução)
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Persépolis, graphic novel de Marjane Satrapi, é uma obra que combina memória pessoal e história do Irã no século XX. A publicação aborda a transição do país para a República Islâmica a partir de 1979 e a vida da autora até o período de vida no exterior.

A história começa em 1980, quando Satrapi tem 10 anos. O primeiro volume mostra sua imagem com o hijab, símbolo da nova ordem. A obra descreve restrições sociais, repressão política e o início da guerra com o Iraque.

A família, apesar do ambiente ainda progressista, vive sob vigilância e medo. Os pais protegem a protagonista, mantendo valores liberais em clima de censura e rigidez religiosa.

A autora sai do Irã aos 14 anos, indo para a Áustria. No exílio, enfrenta solidão, choque cultural e preconceito, antes de retornar ao Irã.

Ao retornar, Satrapi observa crise de identidade, com mudanças de costumes e pressão de gênero. Anos depois, divorcia-se e busca novas oportunidades, fixando residência na França.

Contexto histórico

A obra também revisita o Irã entre os anos 1950 e 1979. O golpe de 1953, apoiado pela CIA, derrubou o primeiro-ministro Mossadegh e favoreceu o retorno do xá Reza Pahlavi. A ditadura contou com apoio ocidental.

A tensão aumentou até 1979, quando protestos obrigaram a queda do xá. A Revolução Islâmica levou Khomeini ao poder e instaurou uma república teocrática, mudando o cotidiano e as liberdades no país.

Em 2007, Persépolis ganhou adaptação cinematográfica em animação, co-dirigida por Satrapi e Vincent Paronnaud. O filme recebeu prêmio no Festival de Cannes e foi indicado ao Oscar de Melhor Filme de Animação.

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