O canadense Thélyson Orélien declarou nesta terça-feira (13) que seu romance “C’était ça ou mourir” não teve nenhuma frase produzida por inteligência artificial, contrariando as acusações que circulam sobre a obra. Em texto enviado à AFP, porém, ele reconheceu ter plagiado outros autores no passado e pediu desculpas pelos episódios.
Fenômeno literário na França, o autor está no centro de polêmicas há semanas depois que uma conta anônima no X o acusou de ter escrito a obra “quase integralmente” com inteligência artificial (IA).

Capa do livro “C’était ça ou mourir” (Créditos: Divulgação)
Orélien também foi alvo de denúncias de plágio de textos publicados há mais de uma década no Canadá.
“Dizem que ‘C’était ça ou mourir’ foi redigido por uma inteligência artificial. Isso é uma calúnia e uma heresia. Recorri algumas vezes a ferramentas para fazer pesquisas […] Mas nenhuma frase deste livro foi criada por uma máquina”, afirmou o escritor no texto “Eu mesmo escrevi este livro. Nasce das minhas feridas e das dos demais imigrantes. Essa ferida do exílio da qual não se cura. Este romance é fruto disso, é o fruto do meu trabalho, é minha criação”, acrescentou.
“C’était ça ou mourir”, um dos fenômenos da temporada literária na França, narra em primeira pessoa a história de Jonas Dorléon, um professor que foge de seu país, o Haiti, assolado pela violência das gangues. Ele começa, então, um périplo perigoso por 12 países até chegar ao Canadá.
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O livro se tornou um best-seller na França e chegou ao primeiro lugar entre os romances mais vendidos do país no fim de setembro, segundo dados da NielsenIQ BookData divulgados pelo Livres Hebdo. A obra também passou a liderar as vendas entre os romances lançados na “volta literária” francesa de 2026 e chegou a 82.727 exemplares vendidos na França até 4 de outubro, embora não tenha alcançado o topo do ranking geral considerando todas as categorias de livros.
As vendas cresceram durante a repercussão das acusações de uso de inteligência artificial: foram 12.506 exemplares vendidos na semana anterior à polêmica e 18.254 na seguinte, alta de cerca de 46%.
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Orélien explicou que começou a escrevê-lo “no outono de 2017”, em Quebec, no Canadá, onde mora desde 2010, após deixar o Haiti. “Terminei o primeiro rascunho deste texto em 2019”, detalhou.
O romancista de 38 anos, que também tem nacionalidade haitiana, reconheceu ter “cometido erros inaceitáveis” ao plagiar textos de autores renomados após chegar ao Canadá.
“Tinha pouco mais de 20 anos, certamente queria ir rápido demais, sem levar em conta realmente tudo o que ainda tinha que aprender. Queria escrever, lia muito (…) Mas admirar não me autoriza a pegar, a atribuir a mim textos que não são meus”, afirmou. “Lamento profundamente e peço desculpas”, acrescentou.
Pouco depois do surgimento da polêmica, a prestigiosa Academia Goncourt, que concede o principal prêmio literário da França, retirou o nome de Orélien de sua lista de candidatos deste ano.
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(Com informações da AFP)
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