O Aral Culture Summit aconteceu em Nukus, no Uzbequistão, com o objetivo de unir arte e cultura para ajudar na recuperação ambiental da região do Mar de Aral, que sofreu uma grande devastação devido ao desvio de rios pela União Soviética para a produção de algodão. O evento, que reuniu cerca de 500 pessoas, discutiu como a cultura pode ajudar na restauração do meio ambiente e na revitalização da comunidade local. Especialistas apresentaram projetos de reflorestamento e resiliência climática, destacando a importância de integrar tradições e valores locais nas iniciativas de desenvolvimento. A summit também abordou a necessidade de incluir mais vozes da comunidade local nas discussões sobre patrimônio cultural e mudanças climáticas. Além disso, foram anunciadas novas iniciativas, como uma escola de design que buscará soluções inovadoras para os desafios ecológicos da região. O evento foi uma oportunidade para promover a cultura de Karakalpakstan e atrair atenção para a crise ambiental que afeta a área.
O Mar de Aral, uma vez um ecossistema vibrante, enfrenta uma crise ambiental severa devido ao desvio de rios pela União Soviética para a produção de algodão. O inaugural Aral Culture Summit (ACS) ocorreu em Nukus, capital de Karakalpakstan, com o objetivo de unir arte e cultura para promover a regeneração ambiental.
Aygul Pirnazanova, chefe do departamento etnográfico do Museu de Arte Savitsky, expressou a esperança de que o Mar de Aral volte a ser pleno. O evento, promovido pela Fundação de Desenvolvimento da Arte e Cultura do Uzbequistão (ACDF), reuniu cerca de quinhentas pessoas para discutir como a cultura pode apoiar a restauração ambiental.
Durante o ACS, foram apresentados projetos de restauração ambiental, como iniciativas de resiliência climática e reflorestamento, com a participação do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (PNUD). Ivana Živković, do PNUD, destacou a importância de integrar a cultura local nas políticas de desenvolvimento para garantir a eficácia a longo prazo.
Elena Kan, diretora executiva do KIVA Center for Agroinnovations, enfatizou a necessidade de mudar a mentalidade dos agricultores que ainda utilizam práticas agrícolas da era soviética. O KIVA trabalha com agricultores locais para promover inovações sem desconsiderar o conhecimento tradicional.
A designer de bioprodutos Dana Molzhigit apresentou seu projeto “Loops”, que utiliza pigmentos bioremediadores em tapetes inspirados na tradição local, mostrando como o design pode contribuir para a cura ambiental. O arquiteto belga Bas Smets sugeriu que soluções arquitetônicas adaptativas poderiam criar “oásis” no ambiente urbano de Nukus.
O ACS também abordou a inclusão da comunidade local nas discussões sobre patrimônio cultural e ação climática. Aric Chen, diretor artístico do Nieuwe Instituut, ressaltou a falta de representação local em painéis de discussão. O evento também destacou a rica herança cultural de Karakalpakstan, que abriga mais de duzentos sítios arqueológicos.
O ACS foi descrito como um “start-up cultural”, com planos para se reunir a cada dezoito meses, permitindo que ideias amadureçam e projetos ganhem força. A ACDF anunciou a regeneração do Parque Istiqlol, que se tornará um centro comunitário integrado a práticas sustentáveis.
O evento ocorre em um contexto de reformas liberais no Uzbequistão, sob a liderança do presidente Shavkat Mirziyoyev, que tem investido na cultura como parte de uma estratégia para melhorar a imagem internacional do país. O ACS representa uma oportunidade para Karakalpakstan, uma região historicamente negligenciada, se inserir na conversa cultural global.
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