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Música barroca e herança jesuítica marcam comunidades do oriente boliviano

A exposição "Custodios invisibles" revela a influência das missões jesuíticas na música e cultura boliviana, destacando tradições preservadas.

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A evangelização dos indígenas durante a conquista da América foi muito importante, especialmente no Virreinato do Peru, onde os jesuítas criaram missões em áreas como Mojos e Chiquitos. Essas missões ajudaram a integrar comunidades indígenas e a formar uma nova sociedade. Mesmo após a expulsão dos jesuítas em 1767, muitas tradições, como a música barroca, continuaram a existir nessas regiões. A fotógrafa Mariana Balcázar, em sua exposição “Custodios invisibles”, mostra como a música e a cultura boliviana ainda são influenciadas por essas missões. Ela destaca a preservação de partituras históricas e a presença de orquestras e festivais de música nas comunidades. As missões de Mojos e Chiquitos, que foram fundadas entre os séculos XVII e XVIII, se destacaram por sua organização social e econômica, onde os indígenas tinham mais direitos e liberdade em comparação com outras áreas da colônia. A música, que era uma forma de adoração, se tornou um símbolo de identidade para esses povos, e as igrejas construídas ainda são importantes para a vida social e religiosa. A exposição de Balcázar recupera composições de Domenico Zipoli, um músico italiano que deixou um legado significativo na música dessas comunidades.

A exposição fotográfica “Custodios invisibles”, da artista Mariana Balcázar, destaca a influência das missões jesuíticas na música e cultura boliviana. A mostra, que ocorre na Fundação Patiño em Cochabamba, revela a preservação de partituras históricas e a continuidade das tradições musicais nas comunidades indígenas.

As missões jesuíticas, estabelecidas no final do século XVII no Virreinato do Peru, foram fundamentais para a evangelização e integração dos indígenas. Em regiões como Mojos e Chiquitos, os jesuitas criaram um modelo social e econômico que beneficiou os nativos, permitindo que mantivessem um estilo de vida distinto mesmo após a expulsão da ordem em mil setecentos e sessenta e sete.

A música barroca, cultivada pelos jesuitas, é um dos legados mais duradouros. Balcázar observa que as comunidades ainda preservam essa herança musical, com orquestras, festivais e escolas públicas. A fotógrafa ressalta que “os jesuitas semearam sementes que floresceram até hoje”, evidenciando a fusão entre a cultura indígena e a europeia.

As missões de Mojos e Chiquitos, que abrigaram até 31 mil e 24 mil indígenas, respectivamente, se destacam pela autonomia política e social que proporcionaram. Historicamente, essas comunidades se organizaram de forma a garantir a liberdade dos nativos, que eram protegidos de práticas como a mita e a encomienda.

A exposição também recupera composições do músico italiano Domenico Zipoli, que visitou a América no século XVIII. As partituras, encontradas durante restaurações, são consideradas sagradas pelas comunidades, representando uma conexão com a divindade. O historiador Roberto Tomichá destaca que “as igrejas se mantêm como símbolo de identidade”, unindo aspectos religiosos, sociais e políticos.

A mostra “Custodios invisibles” não apenas celebra a música, mas também a resiliência das comunidades indígenas, que continuam a preservar sua cultura e identidade ao longo dos séculos.

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