A exposição “Tan lejos, tan cerca” no Museu do Prado, em Madrid, destaca a influência da Virgem de Guadalupe no imaginário atlântico e a descolonização da arte. A mostra reúne quase 70 obras que exploram a rica história dessa figura central na cultura mexicana. A Virgem de Guadalupe, canonizada pela Igreja, atrai anualmente mais de […]
A exposição “Tan lejos, tan cerca” no Museu do Prado, em Madrid, destaca a influência da Virgem de Guadalupe no imaginário atlântico e a descolonização da arte. A mostra reúne quase 70 obras que exploram a rica história dessa figura central na cultura mexicana.
A Virgem de Guadalupe, canonizada pela Igreja, atrai anualmente mais de 10 milhões de fiéis que a veneram em peregrinações a Tepeyac, na Cidade do México. Desde o século XVII, sua imagem é amplamente reproduzida, não apenas em obras de arte, mas também em produtos populares, refletindo sua presença no cotidiano.
Os curadores Jaime Cuadriello e Paula Mues Orts afirmam que a exposição busca despolitizar a figura da Virgem e mostrar como seu culto se espalhou por antigas colônias do império espanhol. Mues Orts destaca que a capacidade de reprodução da imagem foi crucial para sua disseminação, permitindo que artistas criassem diversas versões em diferentes formatos.
Descolonização e Arte
Miguel Falomir, diretor do Prado, enfatiza que a exposição é uma oportunidade de dar visibilidade ao arte produzido no outro lado do Atlântico. Ele menciona que a descolonização da arte é um debate político e histórico, e que o museu busca corrigir preconceitos que excluíram diversas manifestações artísticas do canon estabelecido.
A mostra inclui obras de artistas como José Juárez, Velázquez e Zurbarán, além de peças de artistas novohispanos. A curadoria apresenta a Virgem de Guadalupe ao lado de obras icônicas, como “La Santa Faz”, de Zurbarán, para traçar paralelos entre diferentes tradições artísticas.
A exposição também destaca a presença da Virgem em dezoito catedrais e quatro santuários marianos na Espanha, evidenciando sua importância histórica e cultural. A Virgem de Guadalupe, considerada uma “imagem mariana globalizada”, continua a ser um símbolo de fé e identidade para milhões de pessoas.
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