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Autor de Life of Pi descobre poema perdido de Troia

Martel mescla poema épico e drama familiar, mas estrutura desequilibrada dificulta a leitura e a conclusão sombria sobre Troia

Soldiering on … a still from the 2004 film Troy.
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  • Yann Martel lança Son of Nobody, que mescla um poema épico perdido sobre a Guerra de Troia com o drama doméstico do professor Harlow Donne, em Oxford.
  • A história alterna entre o poema de Psoas, narrado em versos e notas de rodapé que refletem a vida familiar do estudioso, incluindo a relação tensa com a esposa Gail.
  • O poema fictício, com quarenta e oito fragmentos, é apresentado no topo das páginas, enquanto as notas do narrador aparecem abaixo, conectando-se a memórias pessoais de Harlow.
  • O foco desloca-se dos heróis para soldados comuns, mostrando a crueldade da guerra e o cotidiano degradante dos combatentes, com animais exóticos que adicionam uma dimensão sagrada ao Troy.
  • A crítica aponta uma estrutura desequilibrada entre o poema épico e o drama moderno, além de questionar a argumentação sobre a relação entre guerra e fé, encerrando com a violência devastadora da conclusão.

Son of Nobody, quinto romance de Yann Martel, reimagina a Guerra de Troia a partir de um soldado comum. O professor Harlow Donne ganha uma bolsa em Oxford e parte para investigar papiros de Oxyrhynchus. O drama doméstico acompanha o afastamento dele da família.

A obra combina o poema épico supostamente perdido com a vida familiar de Donne. O poema, intitulado Psoad, é apresentado nas páginas superiores, com as notas de rodapé de Harlow abaixo, abrindo espaço para lembranças dele com a esposa Gail.

O romance assenta em dois fios narrativos que se entrelaçam. O primeiro é o épico de Troia visto por um “filho do nada”, Psoas, não pelos heróis. O segundo é o cotidiano de Gail, Helen e a crise conjugal de Harlow.

O Psoad compõe cerca de metade do livro em termos de palavras. O poema está em pentâmetro, com diálogos picantes, humor e reviravoltas, enriquecido por detalhes sensoriais e sátiras. A escrita desloca o foco dos heróis para personagens mercantis.

A tensão entre a glória dos guerreiros e a miséria dos soldados comuns é central. Martel sugere a atração pelo sangue sem deixar de mostrar os horrores da guerra: o medo, as pulgas, o luto e a distância da casa.

A presença de animais no mundo de Troia acrescenta uma dimensão quase sagrada. Gerações recentes de ficção revisitaram Troia a partir de perspectivas femininas e humanas, o que Martel também incorpora de modo próprio.

Mesmo assim, a estrutura permanece problemática. Harlow, em notas, parece navegar entre pessoal e textual, levando o leitor a questionar a veracidade do poema, assim como a motivação do estudioso.

O desfecho mantém o tom sombrio, com o épico terminando em uma visão de destruição que reverbera na vida de Harlow. O efeito é intenso, mesmo que a organização narrativa não agrada a todos os leitores.

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