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Met celebra a arte do retrato e a reconexão com o passado

Exposição no Metropolitan Museum of Art redefine o retrato, reunindo Picasso, Lam e Miró para explorar identidade, memória e a relação entre sujeito e artista

Yasuo Kuniyoshi – Self-Portrait as a Photographer.
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  • A exposição The Face of Modern Life, no Metropolitan Museum of Art, reúne cerca de oitenta obras da coleção permanente para explorar o que é retrato, indo além de semelhança física.
  • Destaques incluem o retrato de Gertrude Stein feito por Pablo Picasso, que ajudou a redefinir a ideia de retrato e cubismo; a curadora destacou o questionamento sobre o que realmente se parece.
  • Ídolo, de Wifredo Lam, traz a figura da deusa Oyá em transição entre estados, mostrando retrato como movimento entre humano e animal.
  • A mostra também apresenta obras de Francis Picabia, Paul Klee e Vasily Kandinsky, entre outras, que exploram o retrato por meio de abstração e textura.
  • A curadora Stephanie D’Alessandro afirma que retratos refletem presença humana e conexões, ressaltando que obras que não parecem retratos tradicionais ainda podem funcionar como retratos.

A exposição The Face of Modern Life, em cartaz no Metropolitan Museum of Art, reúne perto de 80 obras da coleção permanente para explorar o que um retrato pode representar. A curadora Stephanie D’Alessandro conduz a narrativa desde o retrato tradicional até formatos mais amplos, ligados à memória, mito e experiência. A mostra questiona onde termina o sujeito e começa o artista.

Entre as peças de destaque estão retratos de Pablo Picasso, como o famoso retrato de Gertrude Stein, e a leitura de Stein sobre a própria imagem, que ampliam o conceito de retrato para além da semelhança física. A curadoria propõe que o retrato pode nascer também da memória, da prática poética e da interpretação do espectador.

A curadoria e o conceito

A exposição parte da ideia de que retratos não são apenas representações visuais, mas pontos de contato entre o tempo, a técnica e a percepção. Obras de Max Beckmann, Wifredo Lam e Joan Miró aparecem ao lado de peças abstratas, sugerindo diversas leituras sobre identidade e presença humana.

Ídolo, de Lam, recém adquirido pelo museu, é destacado pela representação da deusa Oyá e pela transição entre estados, lembrando a influência de Santería na obra. A curadora ressalta a ideia de que a pintura pode emergir no instante em que a figura se transforma.

Outras leituras e acervos

Entre as aquisições recentes, está ainda Elegance, de Francis Picabia, um retrato monstruoso de uma mulher com guarda-sol, que dialoga com a tradição dadaísta. Coube à obra de Picabia acompanhar textos de Wallace Stevens, ampliando a relação entre imagem e palavra.

Peças como May Picture, de Paul Klee, e Improvisation 27 (Garden of Love II), de Vasily Kandinsky, aproximam o retrato de estados emocionais e experiências sensoriais, em vez de uma figura explícita. A curadora explica que esses trabalhos funcionam como registros de presença humana sob uma ótica abstrata.

Contexto expositivo

A curadoria enfatiza que, ao longo do tempo, o retrato manteve um impulso humano básico: a busca por conexão. Mesmo obras sem aparência tradicional de retrato podem funcionar como documentos de relação entre interior e exterior, de acordo com D’Alessandro. A exposição permanece aberta no Met, oferecendo ao público a oportunidade de revisitar técnicas, contextos e leituras de retrato.

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