- Candice Carty-Williams volta a Queenie com uma sequência em que a protagonista, nos trinta e poucos, encara novos dilemas amorosos e investiga questões de saúde materna negra.
- A autora revela que a adaptação televisiva de Queenie, pela Channel 4, foi desgastante e quase a levou a desistir de projetos para tela.
- O sucesso inicial de Queenie, em 2019, desencadeou uma corrida por livros de autoras negras, mas o apetite por diversidade diminuiu após o movimento de 2020.
- Além de Queenie, Carty-Williams escreveu People Person e agora planeja novos trabalhos, incluindo ensaios e possíveis abordagens sobre relações parasociais.
- A nova edição mantém temas de realismo e crítica à diversidade performativa, explorando ainda desigualdades na saúde materna e as nuances da vida de uma mulher negra na mídia.
Candice Carty-Williams afirma que Queenie continua a mobilizar leitores e prepara a sequência da história. A entrevista ocorreu em seu escritório rosa, em Peckham, onde a autora de 36 anos falou sobre o retorno da protagonista à casa dos 30, os desafios da adaptação televisiva e a motivação para a continuação.
A obra Queenie, publicada em 2019, foi um fenômeno no Reino Unido, vendendo mais de 500 mil cópias e levando Carty-Williams a ganhar o Book of the Year em 2020, tornando-a a primeira mulher negra a vencer o prêmio. A adaptação para TV pela Channel 4, em 2024, gerou críticas diversas e, para a autora, foi a experiência profissional mais difícil de sua carreira.
O retorno de Queenie e a sequência
Na sequência, Queenie encara novos dilemas em seus 30 e poucos anos, ainda sem vínculos definitivos. A personagem navega uma relação ambígua com um homem descrito como “TFL man” e tenta reacender o romance com Frank, além de trabalhar em uma investigação sobre a saúde materna negra. O enredo também traz o retorno dos amigos, conhecidos como “os Corgis”.
Carty-Williams explica que resistiu à ideia de escrever logo a sequência, temendo a expectativa dos leitores. O livro aborda temas sensíveis, como fertilidade e maternidade, com base em pesquisas que a autora realizou sobre o acesso a cuidados de saúde maternos para mulheres negras. O estudo de casos inclui discriminação em atendimentos e limitações de recursos hospitalares.
Da literatura à indústria e à vida pessoal
A autora descreve a transição da indústria editorial desde o sucesso de Queenie, destacando o surgimento de propostas de obras de diversidade após o estouro de 2020, seguido pela diminuição de programas de diversidade. Em sua trajetória, ela também cita a experiência de escrever para televisão como uma fase intensa, com impactos pessoais significativos.
Carty-Williams relembra a mudança de vida após o sucesso do livro: a compra de uma casa e a prioridade dada à terapia. Ela afirma que não busca celebridade literária, preferindo uma vida mais tranquila e dedicada ao trabalho. Sobre o futuro, ressalta interesse em ensaios e em explorar novamente o universo de Queenie, sem pressa de retorno, e comenta a hipótese de explorar relações parasociais em projetos futuros.
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