- Uma pesquisa com 56 atletas de clubes das quatro séries do Brasileirão e cinco regiões aponta que 42,9% consideram a música essencial no pré-jogo para concentração e performance.
- Os respondentes têm idades entre 16 e 38 anos e responderam de forma anônima.
- Na Série D, 57,9% deram nota 10 à importância da música, enquanto na Série A esse índice é 33,3%.
- Entre estilos musicais, o gospel lidera com 33,9% das preferências, seguido pelo funk com 21,4%; MPB e Reggaeton não foram escolhidos.
- Especialistas dizem que a música pode reduzir ansiedade, aumentar foco e liberar dopamina; muitos usam fone de ouvido ou caixa de som no vestiário antes dos jogos, como relato de jogadores.
A pesquisa, realizada com 56 atletas de clubes das quatro séries do Campeonato Brasileiro e das cinco regiões do Brasil, aponta que 42,9% dos jogadores consideram a música essencial no momento pré-jogo. Os respondentes tinham entre 16 e 38 anos e responderam de forma anônima.
Entre os dados, 42,9% disseram que a música é especialmente motivadora, 46,4% destacaram ajuda na concentração e 37,5% citaram a entrada no clima da partida. Outras respostas indicaram relaxamento e suporte à preparação emocional, em diferentes situações de aquecimento.
Na prática, o uso da música varia conforme a divisão. Entre jogadores da Série D, 57,9% classificaram a importância como alta, superior à Série A, onde 33,3% deram essa nota. A segunda opção mais comum foi a intensidade 8 de importância, presente em 19,6% dos casos.
Quanto aos estilos, o gospel lidera com 33,9% das preferências, seguido pelo funk com 21,4%. Não houve registro de escolhas por MPB e Reggaeton. Na Série A, o funk aparece como gênero mais citado por 50% dos respondentes, enquanto o gospel domina na Série B, com 50%.
Entre atletas nascidos no Sul, o funk lidera com 42,9%; no Centro-Oeste, o gospel chega a 55,6%. A variação regional indica que as preferências musicais variam conforme o contexto, sem consenso único entre os elencos.
Ciência explica
Especialistas avaliam que a música ajuda no controle da ansiedade, na ativação pré-jogo e no foco. A psicóloga do esporte Jaciara Alves Paz aponta que a música atua na liberação de dopamina e no equilíbrio entre adrenalina e cortisol, favorecendo a concentração.
Segundo Allan Christian, maestro e pesquisador, a prática pode favorecer o controle emocional e a resposta fisiológica ao estresse pré-partida, contribuindo para maior estabilidade durante o aquecimento.
Método e relatos de bastidores
No Rio de Janeiro, o ex-atacante Jô, que atuou pela Seleção Brasileira, Corinthians, Atlético-MG e Manchester City, descreve um ritual de aquecimento com som ligado. Ele lembra que a música elevava o ritmo e a adrenalina da equipe.
Relatos de bastidores citam caixas de som no vestiário como ferramenta comum para motivação coletiva, além de uso de fones de ouvido antes das partidas. Em alguns casos, jogadores repetem esse ritual mesmo fora do Brasil, adaptando gêneros que agradam ao grupo.
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