- A insulina é usada por fisiculturistas saudáveis para ganhar músculo, mesmo sem diabetes ou prescrição médica.
- Um estudo de 2024 com 92 fisiculturistas e 45 controles mostrou que cerca de 43% usam hormônios com regularidade, e 38% combinavam insulina com outros fármacos, como esteroides ou hormônio do crescimento.
- Além de anabolicidade, a insulina é lipogênica e pode levar ao acúmulo de gordura; em fases de bulking, é comum associá-la ao consumo de açúcar para evitar quedas de glicose.
- O principal risco imediato é a hipoglicemia, que pode evoluir para neuroglicopenia, confusão, convulsões e coma, especialmente durante restrição alimentar.
- A prática é ilegal para fins estéticos ou de performance; não há indicação de uso em pessoas sem diabetes e o uso costuma ocorrer em conjunto com outros agentes, elevando riscos cardíacos e mesmo ocorrências de mortes.
A insulina, hormônio indispensável para diabéticos, passou a figurar no arsenal de alguns fisiculturistas saudáveis que buscam maior ganho de massa muscular. A prática ocorre sem indicação médica, sem exames de controle e sem aprovação para uso desportivo.
A discussão ganhou força após a perícia encontrar medicamentos no apartamento ligado ao fisiculturista Gabriel Ganley, de 22 anos, cuja morte permanece sob investigação. Nas redes, Ganley relatou uso de insulina e um episódio de hipoglicemia relacionado a dias de alimentação restrita.
O Conselho e endocrinologistas destacam que a insulina só tem indicação clínica quando há deficiência de produção ou manejo de diabetes. Em academias, porém, relatos indicam uso concomitante com esteróides e outros hormônios, em protocolos não médicos.
Como a insulina age no corpo
A insulina atua como um anabolizante celular: facilita a síntese de proteínas e freia vias de degradação, favorecendo ganho de massa muscular. No entanto, esse efeito é esperado apenas quando há deficiência do hormônio e reposição sob critério médico.
Especialistas ressaltam que o uso indevido tem potencial de causar desequilíbrios graves. Ao ser administrada sem necessidade, pode ocorrer ganho de peso não saudável e alterações metabólicas, com risco aumentado para o sistema cardiovascular.
Cerca de 43% dos fisiculturistas pesquisados admitiram uso regular de hormônios, segundo estudo de 2024 em Sports Medicine Open. Entre os usuários, havia prevalência de esteroides e uso simultâneo de hormônio do crescimento e, em parte, de insulina.
Riscos agudos e complicações
O principal perigo imediato é a hipoglicemia severa. Reduções acentuadas de glicose no sangue podem levar a confusão, convulsões e até coma se não houver reposição rápida de carboidratos.
Profissionais explicam que restrições alimentares associadas ao treino intenso agravam o quadro. Em casos graves, a falta de glicose pode resultar em desmaios prolongados e complicações neurológicas.
Detecção e fiscalização
A insulina usada por humanos é quase idêntica à produzida pelo próprio organismo, o que dificulta a detecção em exames antidoping tradicionais, que costumam identificar esteroides e hormônio do crescimento. Marcadores indiretos, como alterações no perfil lipídico e em enzimas hepáticas, vêm sendo estudados para monitoramento.
Pesquisadores europeus observaram que fisiculturistas que utilizam insulina e hormônio do crescimento apresentam queda no HDL e alterações das transaminases, o que pode indicar uso prolongado em avaliações futuras.
Contexto legal e risco ao cenário esportivo
O uso de anabolizantes para fins estéticos ou de performance é proibido por órgãos de medicina e vigilância sanitária. A insulina não tem indicação em pessoas sem diabetes, o que aumenta a gravidade da prática ilícita.
Especialistas lembram que o problema envolve não apenas o indivíduo, mas o ambiente esportivo: padrões de corpo reforçados pela mídia e pela internet podem incentivar jovens a recorrer a substâncias, com riscos graves à saúde.
Olhar técnico e público
Profissionais enfatizam que, para ganhos seguros, o foco deve ser treino, nutrição e orientação médica adequada. A discussão atual envolve compreensão dos riscos, fiscalização eficaz e educação sobre saúde metabólica, sem glamourizar o uso fora de indicação.
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