O Jamaat-e-Islami, maior partido islamista de Bangladesh, está renovando sua imagem e ganhando espaço político antes das eleições parlamentares previstas para 12 de fevereiro. O partido busca ampliar apoio entre eleitores moderados e minorias, após anos de oposição à independência e exclusão eleitoral.
A guinada começou após um levante estudantil e popular em 2024, que levou ao banimento da primeira-dama governista. Desde então, a Jamaat aposta em ações de bem-estar, campanhas de saúde e ajuda a famílias atingidas por desastres, buscando ampliar sua base de apoio.
A mudança também inclui uma retórica pública mais inclusiva. A Jamaat sustenta que representa uma política construtiva e combate a corrupção, com foco em serviços sociais. Analistas veem nessa estratégia um esforço para melhorar a imagem diante de eleitores descontentes com o governo.
A formação de alianças faz parte da estratégia. A Jamaat se associou à NCP, ampliando a participação em candidaturas, com planos de disputar 179 cadeiras em 300 vagas, e distribuir 74 vagas entre aliados. A coalização busca ampliar margem de votos.
No cenário eleitoral, a Jamaat abriu espaço para discussões sobre minorias. Pela primeira vez, o partido indicou um candidato hindu e afirmou defender direitos iguais de mulheres, mesmo sem apontar candidatas para as 300 vagas via lista. Começou, ainda, a falar de democracia guiada por princípios islâmicos.
A notícia sobre a trajetória da Jamaat gerou críticas entre organizações de mulheres e líderes de minorias. Críticos afirmam que promessas de empoderamento podem ser usadas para fins eleitorais, enquanto a base de apoio conserva reservas sobre mudanças no dogma.
Em contexto, grupos islâmicos têm ganhado protagonismo desde a saída de Hasina. Incidentes contra minorias, como ataques a santuários hindus, elevaram temores de maior vulnerabilidade. O governo interino prometeu endurecer a atuação policial e proteger minorias.
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