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Cubanos em Havana relatam cotidiano difícil e pior momento já vivido

Cubanos em Havana convivem com o pior momento desde a Revolução: apagões longos, preços altos e queda de serviços devido ao embargo energético dos EUA

Personagens Cubanos - Arquiteta cubana Ivón Rivas Martinez, de 40 anos, mãe do Robin, de 9 anos. Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação
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Depois de meses de agravamento, cubanos em Havana relatam o que chamam de o pior momento da crise econômica e energética enfrentada pela ilha. O endurecimento do embargo e a escassez de combustível têm impactado serviços essenciais, transporte e preços de itens básicos.

Relatos de moradores apontam apagões mais longos e imprevisíveis na capital, com impactos em água, telefonia e internet. Aumento de preços de arroz, óleo e frango também é citado como consequência direta do aperto causado por medidas dos EUA.

A Agência Brasil perguntou a moradores e especialistas sobre o que mudou na vida cotidiana. A percepção é de que a crise se intensificou desde o fim de janeiro e se espalha por diversas províncias, não apenas pela capital.

Transição de tema

Ivón B. Rivas Martinez, arquiteta de 40 anos e mãe solo, descreve interrupções elétricas mais prolongadas. Ela cita casos de 12 horas sem energia e a inviabilidade de planejamento em Havana.

Feliz Jorge Thompson Brown, economista cubano de 71 anos, aponta que a situação é mais grave que no “período especial” dos anos 1990. Ele atribui a piora à capacidade estatal de manter a cesta básica e a oferta de serviços públicos.

Economia e governo

A crise energética tem reduzido a oferta de transporte público e elevando o custo do transporte privado, segundo os entrevistados. Linhas de ônibus com disponibilidade limitada e redução de serviços afetam deslocamentos dentro da cidade.

O aumento de preços de itens essenciais é destacado como uma pressão adicional para famílias. Além disso, a escassez de combustível compromete o funcionamento de ônibus, trens e veículos elétricos.

Saúde, educação e cultura

A dificuldade de deslocamento impacta o acesso a serviços de saúde, com consultas e atendimentos de emergência priorizados diante da restrição de energia. Medicamentos também aparecem como desafio para manter tratamento contínuo.

Apesar da crise, a educação é descrita como mantida. Crianças do ensino fundamental costumam ir a pé para as escolas, com centros culturais oferecendo atividades gratuitas.

Contexto externo

O endurecimento do bloqueio, iniciado nos governos de Donald Trump, é visto pelos entrevistados como uma política alvo de derrubar o regime cubano. O governo local critica as medidas, associando-as a danos à população.

Para os cubanos, as sanções impede o acesso a petróleo no mercado global e agrava a dependência de fontes internas. A crise energética se intensifica com a redução de importações e com o impacto do bloqueio naval à Venezuela.

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