O governo brasileiro enviou aos Estados Unidos uma versão desatualizada da lista suja do trabalho escravo que inclui a BYD, fabricante chinesa. O envio ocorreu na quarta-feira, 15, como anexo à resposta do Itamaraty ao Escritório do Representante Comercial dos EUA. Até a publicação, BYD e o Itamaraty não se manifestaram.
A lista antiga indicava a BYD Auto do Brasil LTDA com 163 trabalhadores envolvidos em condições degradantes na fábrica de Camaçari, na Bahia. A obra envolvia áreas reformadas após a compra da unidade pela BYD, que já era operada pela Ford anteriormente.
Em 2024, fiscalizações no complexo de Camaçari apontaram imigrantes chineses em situação precária. Três dias depois da inclusão inicial, a empresa obteve liminar para deixar o cadastro, sob o argumento de vínculo apenas com prestadoras de serviço contratadas para a construção.
Mudança no registro e desdobramentos
A lista atual publicada pelo Ministério do Trabalho não traz mais o nome da BYD. A atualização mais recente ocorreu na quinta-feira, 16, mas a resposta de Brasília enviada aos EUA utilizou a versão anterior, com a BYD ainda listada. A inscrição gerou desgaste interno, levando à demissão de um secretário do Trabalho e a protestos sobre interferência política.
O documento enviado mantém a vinculação do registro a um consultor da embaixada brasileira em Washington e à própria Embaixada do Brasil, conforme metadados. A BYD questiona a fundamentação de sua inclusão, enquanto o Itamaraty não divulgou detalhes adicionais sobre o envio.
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