Em uma análise internacional sobre repressão transnacional, veículos e estudiosos destacam que governos de várias regiões têm atacado dissidentes no exterior, com ações que vão desde detenções até deportações e perseguição online.
Relatórios de organizações como Freedom House indicam que esse tipo de prática cresceu nos últimos anos. No ano anterior, 126 incidentes desse tipo foram registrados, elevando o total desde 2014 para 1.375 casos. A maioria ocorreu entre autocracias da Asia e da África Oriental.
Entre os países apontados como principais agentes, destaca-se a Tailândia, que colabora com autoridades chinesas e vietnamitas para deter e devolver membros de minorias. Em fevereiro, houve a deportação de dezenas de uigures para a China, consolidando o país como responsável por um grande volume de casos.
Na África Oriental, Quênia, Uganda e Tanzânia cooperaram para rastrear e repatriar ativistas, visando impedir mobilização cívica durante períodos eleitorais. Autocracias consolidaram redes de vigilância que operam tanto no espaço digital quanto no físico.
Novos Estados passaram a figurar entre os perpetradores: Afeganistão, Benim, Geórgia, Quênia, Tanzânia e Zimbábue foram identificados como usuários de táticas de repressão transnacional. Até 2025, 54 governos teriam tentado silenciar dissidentes no exterior.
Entre as táticas mais comuns estão detenção, deportação ilegal e notificações de organizações internacionais para coibir dissidência. Em pelo menos 11 episódios, agentes usaram recursos de organismos internacionais para justificar ações contra exilados.
No contexto norte-americano, autoridades destacam o impacto dessas práticas sobre cidadãos no exterior. O FBI mantém setor dedicado ao tema, com orientações sobre perseguição, desinformação, assédio, coerção para retornar, ataques cibernéticos e ameaças a familiares.
Para o Brasil, surgem relatos de ações que envolvem cooperação de autoridades com alvo externo. Documentos de investigação indicam que pedidos informais para ações no exterior teriam ocorrido no início do governo atual, segundo fontes envolvidas em frentes de atuação da polícia federal.
Essas informações alimentam debates sobre a participação do Brasil em redes de repressão transnacional. Relatos de jornalistas investigativos apontam monitoramento de dissidentes em diferentes países, incluindo Europa e América do Sul, com impactos para exilados e ativistas.
A leitura comum entre especialistas é de que a repressão transnacional tem efeito direto sobre a liberdade de expressão e de association no exterior. Observa-se, ainda, que esse cenário reforça a necessidade de mecanismos de proteção a dissidentes e de transparência institucional.
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