518 pessoas morreram por causas “não naturais” no contexto de protestos generalizados na Tanzânia, após as eleições gerais do ano passado. A conclusão é de uma comissão de inquérito criada para investigar a violência.
A comissão, presidida por Mohamed Chande Othman, não apresentou responsáveis pelas mortes e recomendou novas investigações. As informações foram divulgadas apenas pelo relatório da comissão.
Partidos de oposição e organizações de direitos humanos acusaram as forças de segurança de repressão brutal contra manifestantes anti-governo. A presidente Samia Suluhu Hassan foi declarada vencedora da eleição de 29 de outubro com 98% dos votos, considerada pela oposição como uma farsa democrática.
A presidente afirmou ter sido vitória justa e transparente, e atribuiu a violência a estrangeiros, declarando que haveria um complô para derrubá-la. Pela primeira vez, as autoridades divulgaram números oficiais sobre as fatalidades, com 490 dos mortos sendo homens.
A comissão apontou várias causas para os choques, incluindo reivindicações de reformas políticas, desemprego e “falta de patriotismo”. Também citou que políticos e ativistas usaram esses temas para mobilizar protestos, que, segundo o relatório, não foram pacíficos nem legais.
Conforme Othman, os incidentes resultaram de fatores de longo prazo combinados a gatilhos imediatos. O relatório reforça a necessidade de olhar tanto para questões históricas quanto para desencadeadores recentes.
Observada pelos críticos, a comissão de nove membros foi criada pelo governo de Samia para identificar causas, envolvidos e motivações por trás da violência, além de avaliar consequências e propor caminhos. A apuração utilizou evidências de cidadãos, vítimas, líderes políticos e órgãos de segurança.
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