Um soldado da brigada de operações especiais do Exército dos Estados Unidos se declarou inocente das acusações de fraude ligadas a apostas com informações privilegiadas, associadas à remoção do então presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. A defesa afirmou que o réu não cometeu crime e que as evidências não comprovam conduta ilegal.
Gannon Ken Van Dyke, 38 anos, foi apresentado em julgamento na Corte Distrital dos EUA, em Manhattan. O soldado chegou ao tribunal com o cabelo raspado e vestindo blazer preto, jeans e sapatos marrons, acompanhado de seus advogados, Zach Intrater e Mark Geragos.
Van Dyke foi preso em 23 de abril, após denúncia federal que o acusa de fazer apostas de 33 mil dólares na plataforma de previsões Polymarket entre 27 de dezembro de 2025 e 2 de janeiro de 2026. As apostas previam a saída de Maduro do poder e a intervenção de forças americanas na Venezuela.
De acordo com a acusação, os mercados atribuíam probabilidades baixas a esses eventos na época, o que resultou em um pagamento expressivo para Van Dyke caso as previsões se confirmassem. O caso representa o primeiro processo nos Estados Unidos envolvendo operações de insider trading ligadas a um mercado de previsões.
A investigação também traz acusações civis pelo Commodity Futures Trading Commission contra Van Dyke. O militar, que é maestrante do Exército e atuava na Fort Bragg, na Carolina do Norte, estaria envolvido no planejamento e execução da operação de janeiro que prendeu Maduro e sua esposa, Cilia Flores, segundo autoridades.
O analista de mercados de previsão Kalshi informou que Van Dyke chegou a ter o acesso bloqueado na plataforma devido a requisitos de identificação, conforme apuração da Reuters. A Kalshi disse ter colaborado com as autoridades durante a apuração.
Em Raleigh, Carolina do Norte, o juiz distrital Brian Meyers determinou a fiança de 250 mil dólares para a liberdade provisória de Van Dyke durante a primeira audiência. A juíza Margaret Garnett, de Manhattan, deve conduzir o caso daqui em diante.
Contexto do caso
- As autoridades ressaltam que se trata de o uso de informações confidenciais para ganho pessoal, em uma ação que envolve cripticamente o mercado de previsões.
- A defesa sustenta que a acusação não apresenta provas de conduta criminosa e que o réu agiu dentro de padrões legais.
Próximos passos
- O processo seguirá sob a supervisão da juíza Garnett, com novas audiências agendadas para esclarecimentos e possíveis etapas de instrução.
- A investigação continua, com a identificação de demais possíveis envolvidos e a avaliação de provas adicionais.
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