Em abril, a agência estatal chinesa Xinhua informou que a 42ª expedição antártica concluiu o primeiro teste de perfuração com água quente na camada de gelo, atingindo 3.413 metros. O feito supera o recorde anterior de 2.540 metros em regiões polares.
A Xinhua descreveu a expedição como abertura de uma nova fronteira para a pesquisa científica internacional, com foco em mudanças ambientais antigas, previsão climática e exploração da vida. A China busca ampliar sua atuação na Antártida.
A cobertura também sugere que a China aproveita a atenção global no Ártico para expandir presença estratégica na Antártida. Analistas veem objetivo que vai além da ciência pura, incluindo potencial influência em recursos e acesso marítimo.
Contexto institucional e potencial de recursos
O Sistema do Tratado da Antártida, assinado em 1959, veda fins militares e privilegia a pesquisa pacífica. O Protocolo de Madri, de 1991, proíbe mineração por 50 anos a partir de 1998.
Segundo o Soufan Center, a China busca tornar-se uma grande potência polar até 2030, com avanços tecnológicos, navios quebra-gelos e satélites. O relatório aponta, ainda, interesse em depósitos de cobre, ferro, ouro, prata e cobalto.
Percepção de uso dual e posição internacional
O governo norte-americano e analistas destacam que bases chinesas na Antártida podem ter uso dual, científico e estratégico, com potencial de apoio a capacidades militares. A presença inclui três estações permanentes e duas sazonais.
Estudos do CSIS apontam que as instalações satélite podem viabilizar coleta de informações, além de rastrear redes de comunicação. A posição de Qinling é citada como ponto de coleta de dados de bases aliadas.
Repercussões e visões de especialistas
Especialistas destacam que a ascensão chinesa na Antártida envolve dimensões políticas e estratégicas, além de pesquisa. Países vizinhos e potências monitoram com cautela mudanças no equilíbrio da governança polar.
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