Gisèle Pelicot, figura central do maior julgamento de estupro da história da França, revelou na Hay Festival que encontrou novamente a confiança e se apaixonou após o calvário vivido. A participante discutiu como superou a vergonha e a dor das agressões.
Segundo relato, seu ex-marido, Dominique Pelicot, cumpre pena de 20 anos de prisão por drogamento e estupro repetidos ao longo de mais de uma década, além de ter permitido a entrada de, pelo menos, 70 homens na residência para abusos. As informações integram o desfecho de um caso que chocou o país.
Aos 73 anos, Gisèle optou por abrir o próprio nome como sobrevivente de abuso sexual, movimento que fomentou debates globais sobre feminismo e justiça. Ela participou do Hay Festival para promover seu memoir A Hymn to Life, respondendo perguntas de Helena Kennedy, a apresentadora convidada.
Durante a entrevista, a sobrevivente afirmou que a culpa pelas agressões não cabe a ela, e que, mesmo após o trauma, acreditou na possibilidade de construir uma vida afetiva estável. A declaração enfatizou a importância da educação desde a infância para a convivência entre homens e mulheres.
Pelicot descreveu o encontro com seu atual parceiro, Jean-Loup Agopian, como um marco que mostra que é possível amar novamente em qualquer idade. Ela comentou que nunca esperava se apaixonar, mas que a vida levou a esse desfecho e reforçou a ideia de não desistir.
Aos olhos da família, a ativista Caroline Darian, fundadora do grupo M’endors pas, que atua contra agressões com uso de substâncias e apoia vítimas, recebeu reconhecimento público durante o evento. Pelicot chamou a filha ao palco ao receber uma ovação de pé.
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